quinta-feira, 15 de maio de 2008

EU GOSTO TAMBÉM - ALL FOR 1

A Essência das corridas – A Fórmula 1 é mais do que um esporte. É uma atitude. Um desejo comum de alcançar o topo. À nossa frente se estendem milhares de quilômetros nos circuitos. Dezoito grandes prêmios nos esperam para provarmos nosso desejo de vencer. E é este o objetivo que almejamos: elevar nossos sucessos anteriores e fazer de 2008 o ano de nossa primeira vitória. É esse o desafio que ousamos enfrentar. Esta é a meta que seguimos. Em cada segundo. Em cada pensamento de cada membro da nossa equipe. Todos por um.”

quarta-feira, 14 de maio de 2008

AS INDUSTRIAS FLUTUANTES CHINESAS

O governo Lula lançou sua segunda política industrial, com desoneração e incentivos fiscais da ordem de R$ 21,4 bilhões até 2011. Um dos principais objetivos será modernizar as empresas brasileiras, medida mais do que necessária num período de competição quase selvagem pelos mercados mundiais. Vejam o que a China, de longe o mais agressivo de todos os competidores, está fazendo no setor de bens de capital. Montaram indústrias flutuantes, isso mesmo, flutuantes, dentro de navios, na busca de reduzir o prazo de entrega de máquinas e equipamentos mundo afora.

O governo chinês embarca em navios peças e mão-de-obra especializada, que vai montando máquinas ao longo da viagem marítima. Como algumas partes desses maquinários são importadas, em vez de ficar aguardando a chegada da peça na China, o navio vai ancorando nos portos em que ela está disponível durante a viagem até o destino final: o país do comprador do bem de capital. Com esse modelo de indústria, a China consegue entregar em quatro a seis meses uma máquina que outros países demoram cerca de um ano para fazer chegar às mãos do seu cliente. Não por outro motivo a China hoje é um grande competidor internacional no setor de máquinas e equipamentos. Lidera, por exemplo, a produção de guindastes para portos, já considerados um dos mais avançados do mundo.

O fato é que entender a China e suas estratégias passou a ser vital para competir no mundo atual. De um país antes conhecido por fabricar produtos baratos e ruins, hoje busca avançar no mercado internacional desenvolvendo produtos de alta tecnologia, ainda a preços bem mais competitivos do que seus parceiros internacionais. Resultado de um país que cresceu de 1979 a 2006 a uma taxa média de 9,6% ao ano. Que hoje, diante da escassez de energia provocada pelo salto econômico, procura transferir indústrias de consumo energético intensivo para outros países, como o Brasil.

Na busca de compreender esse ator global, a Fundação Dom Cabral decidiu pesquisar as empresas chinesas e sua atuação no Brasil. A primeira etapa do estudo resultou na montagem de um ranking com as 200 maiores companhias da China, intitulado "Os futuros donos do poder: Top 200 Chinese Dragons". Desse grupo, pelo menos dez já estão atuando no Brasil, inclusive aquela que é considerada hoje a maior empresa chinesa: Sinopec, uma companhia petroleira (veja relação abaixo).

Responsável pelo estudo, o professor Carlos Arruda diz que as cinco maiores empresas chinesas listadas no ranking apresentam um faturamento superior a US$ 500 bilhões. Além da Sinopec, as outras quatro são: China National Petroleum Corporation, State Grid Corporation of China(SGCC), Petrochina Company Ltd. e Industrial and Commercial Bank of China. Segundo Arruda, boa parte dos 200 dragões chineses tem sua origem em "decisões de organismos, agências ou instituições ligadas ao governo central". Muitas delas, porém, são tidas como empresas privadas de capital aberto, com ações disponíveis nas bolsas de Hong Kong e Nova York. O que torna muito complexo a definição do que é realmente público e privado no gigante asiático.

Em sua pesquisa, Carlos Arruda afirma ter notado que as empresas chinesas hoje buscam associar o baixo custo com a inovação tecnológica. Diz ele no estudo que, atualmente, "mais do que a capacidade de produção a baixo custo", as empresas do ranking procuram se destacar "se associando com parceiros tecnológicos de todo o mundo". O professor cita o caso da Haier, uma das maiores produtoras de refrigerantes da China, que se tornou líder mundial na fabricação de adegas climatizadas. A empresa, em associação com a Walmart (Sam's Club), "desenvolveu produtos 50% mais baratos do que os concorrentes, com tecnologias muito mais avançadas".

Segundo Arruda, em pouco tempo a Haier conquistou 60% do mercado americano.
Dessas empresas chinesas que buscam incorporar alta tecnologia a seus produtos, o professor Carlos Arruda menciona também a Huawei, já presente no Brasil no setor de telecomunicações. A empresa chinesa se associou à Telefônica (Vivo) para desenvolver e lançar a família de telefones celulares de terceira geração. O pesquisador da Fundação Dom Cabral destaca que hoje na China é possível encontrar universidades montadas por empresas para formação de mão-de-obra especializada em tecnologia avançada. O segundo passo da Dom Cabral será analisar a atuação no Brasil das empresas chinesas. Entre as 200 maiores companhias chinesas, as dez que já estão no Brasil são:

Air China (transporte/logística)
Bank of China (setor financeiro)
Baosteel (siderurgia e metalurgia)
China Metais e Minerais - Minmetals (siderurgia e metalurgia)
China Shipping do Brasil (transporte/logística)
Cosco Brasil S/A (transporte/logística)
Gree Electric Appliances Inc. (eletroeletrônico)
Sinopec (petróleo e gás)
ZTE (telecomunicações)
Huawei (telecomunicações)

Por Valdo Cruz em FSP

FORTUNE US 500

domingo, 11 de maio de 2008

OBAMA E McCAIN JÁ PREPARAM ESTRATÉGIAS AGRESSIVAS DE CAMPANHA

Os senadores John McCain, republicano do Arizona, e Barack Obama, democrata de Illinois, estão elaborando estratégias para derrotar um ao outro nas eleições gerais, concentrando seus esforços nos mesmos grupos - incluindo os eleitores independentes e os latinos - e em cerca de uma dezena de Estados que acreditam decidirão a disputa neste outono, disseram os assessores das campanhas. Mesmo antes de Obama ter sido nomeado candidato pelo partido democrata, ele e McCain, presumido candidato republicano, já começaram a reunir suas equipes nos principais campos de batalha, desenvolvendo propagandas negativas que envolvem seriamente o adversário e levantando uma mistura explosiva de temas, que inclui idade e patriotismo.

McCain, do Arizona, passará a próxima semana fazendo uma série de discursos sobre o aquecimento global, o que evidencia sua intenção de combater Obama na disputa pelos votos dos independentes, um grupo que ambos estão reivindicando para si.Claramente preocupado com questões como a associação com seu ex-pastor, que prejudicou seu status entre os independentes, é provável que Obama embarque numa turnê de verão com a intenção de divulgar sua história de vida, que já foi ponto fundamental de seu apelo eleitoral. Os planos iniciais incluem uma parada no Havaí, sua terra natal, e um grande discurso no Cemitério Punchbowl, onde está enterrado seu avô materno, que lutou na Segunda Guerra Mundial.
A campanha de Obama está usando seu poder de fogo para registrar mais eleitores e enviando cabos eleitorais para Pensilvânia e Ohio, Estados onde ele perdeu nas primárias, mas onde seus assessores dizem que ele precisa ganhar para chegar à Casa Branca.Os conselheiros de McCain dizem que perceberam a dificuldade de Obama com os votos da classe trabalhadora nesses Estados, e por sua vez irão abrir comitês eleitorais em ambos os Estados no começo de junho.Além disso, assessores dos dois candidatos dizem que os eleitores hispânicos serão fundamentais para a vitória nos Estados do sudoeste que agora são vistos como principal campo de batalha, incluindo o Colorado, Nevada e Novo México.A decisão de McCain e Obama de se anteciparem ao que acontecerá no outono reflete a conclusão de ambos de que a desistência da senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York, da disputa pela nomeação democrata é apenas uma questão de tempo.

McCain está priorizando os Estados onde o presidente Bush quase perdeu em 2004 e onde Obama perdeu as primárias, a começar por New Hampshire e a Pensilvânia. Obama, por sua vez, está se concentrando nos Estados onde ele ganhou os caucus e as primárias - como a Virgínia, que foi uma base sólida para os republicanos durante as últimas eleições presidenciais - assim como em outros onde ele tem comitês. Ambos os lados já produziram propagandas de TV que irão ao ar assim que a disputa democrata for oficialmente concluída. Essas propagandas estão mais voltadas para minar os oponentes do que para promover os próprios candidatos.O Comitê Nacional Republicano está planejando uma campanha publicitária de US$ 19,5 milhões para retratar Obama, 46, como alguém fora de contato com o país e inexperiente demais para assumir a presidência, buscando colocá-lo na defensiva antes que ele possa usar sua vantagem financeira contra McCain, 71, dizem autoridades do partido."Em 1984, Ronald Reagan disse: 'Não vou explorar a inexperiência e juventude de meus oponentes por razões políticas'", diz Frank Donatelli, deputado presidente do Comitê Nacional Republicano. "Bem, nós vamos explorar a juventude e inexperiência de Obama."Do lado democrata, os assessores de Obama essa semana darão os toques finais às propagandas eleitorais destinadas a ligar McCain ao presidente Bush e a reduzir a imagem de rebelde do candidato, que os assessores descobriram ainda é forte entre os eleitores.

"Até novembro, todos os eleitores irão saber que McCain estará oferecendo a Bush um terceiro mandato", diz David Plouffe, gerente da campanha de Obama. Os conselheiros de Obama disseram que sua pesquisa sugere que McCain, apesar de sua alta posição na política americana durante décadas, não era muito conhecido por muitos eleitores. Em particular, os assessores de Obama disseram que vão enfatizar a oposição de McCain ao direito de aborto para evitar que as mulheres ressentidas que apoiaram Clinton nas primárias passem para o lado de McCain, já que os assessores deste último disseram que irão cortejar agressivamente o voto delas.

As estratégias refletem uma lição da campanha presidencial de 2004, quando os principais assessores de Bush, alguns dos quais estão trabalhando para McCain hoje, começaram uma campanha de TV bem financiada para definir a imagem e derrubar o senador John Kerry, democrata de Massachussetts, no momento em que sua candidatura foi nomeada pelo partido.Os conselheiros de Obama disseram estar cientes de que ele ainda não venceu a nomeação e que ainda restam seis outras disputas pela frente. Ainda assim, disseram que é crucial começar a atacar McCain o quanto antes.Os eleitores independentes têm sido fundamentais na decisão das eleições presidenciais conforme o país foi se polarizando entre as linhas partidárias.O que torna essa eleição diferente é o tanto que Obama e McCain se dedicaram aos eleitores independentes para apoiá-los durante suas carreiras.

Historicamente, os eleitores independentes têm assuntos e preocupações específicas, em particular uma ênfase na reforma do governo e uma aversão às brigas partidárias amargas.Dessa forma, os conselheiros de McCain dizem que irão apresentá-lo como um senador que com freqüência busca o diálogo da oposição, enquanto mostrarão Obama como um democrata que vota apenas com o seu partido e que ideologicamente está fora de contato com a maior parte do país. "Acreditamos que os Estados Unidos ainda são um país levemente de centro-direita, assim como McCain", disse Charlie Black, conselheiro sênior de McCain. "Se você olhar para a base e para o histórico de Obama, ele é um liberal bastante convencional."

Os conselheiros de Obama, por sua vez, pretendem apresentar McCain como um produto de Washington que se aproximou do governo Bush para vencer a nomeação republicana.Os eleitores hispânicos poderão receber mais atenção dos candidatos presidenciais do que nunca. Seus votos serão fundamentais para determinar se os democratas conseguirão capturar Estados como o Colorado, Nevada e o Novo México ou se os republicanos terão alguma chance de serem competitivos na Califórnia.A ligação de McCain com a elaboração de uma lei que teria permitido que alguns imigrantes ilegais obtivessem a cidadania - posição da qual ele abdicou durante as primárias, mas que nunca negou - lhe dá a oportunidade de competir pelo voto desses eleitores, que exceto pelos cubanos da Flórida, parecem ter se estabelecido em massa no campo democrata nos últimos anos.

Obama também apoiou medidas que permitiram aos imigrantes obter cidadania, mas teve dificuldades para ganhar o voto dos hispânicos durante as primárias, o que assinala um problema em potencial para ele na campanha do outono.Os assessores de Obama disseram que o apoio do governador Bill Richardson, do Novo México, um dos líderes hispânicos mais importantes do país, pode se mostrar mais decisivo na eleição geral do que nas primárias.Ambos os lados dizem que os Estados que estão claramente em jogo são Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Minnesota, New Hampshire, Novo México, Nevada, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Virgínia, Washington e Wisconsin.Os republicanos disseram que esperam colocar Nova Jersey e talvez a Califórnia na disputa; os democratas disseram que os negros podem tornar Obama competitivo na Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul.Os conselheiros de Obama disseram que teriam grandes chances de tirar o Colorado, Iowa, Nevada, Novo México, Ohio e Virgínia das mãos dos republicanos.Obama tem uma vantagem financeira clara. Em 31 de março, McCain havia levantado cerca de US$ 80 milhões e declarou cerca de US$ 11 milhões de dinheiro em mãos. Obama havia levantado três vezes mais - cerca de US$ 240 milhões - e tinha mais de quatro vezes a quantia de McCain em banco.Mas o Comitê Nacional Republicano, que pode gastar dinheiro em nome de McCain, levantou US$ 31 milhões, em comparação com os apenas US$ 6 milhões levantados pelo Comitê Nacional Democrata, e as autoridades republicanas dizem que não estão preocupadas em ficar sem dinheiro até as convenções.Os conselheiros de Obama disseram que como resultado dos cinco meses de caucus e primárias, o candidato tinha praticamente o aparato de uma campanha nacional montado e já havia identificado e registrado milhares de novos eleitores.

Dito isso, eles reconheceram que estão em desvantagem em dois Estados importantes - Flórida e Michigan - porque esses Estados fizeram primárias mais cedo, desafiando o Comitê Nacional Democrata, e os candidatos concordaram em não fazer campanha lá."No que diz respeito à organização, já construímos uma estrutura bem forte em todos os Estados exceto Michigan e Flórida", disse Plouffe. "Esta é uma enorme linha prateada que mostra a extensão a que a disputa pela nomeação nos levou." Os republicanos procurarão retratar Obama como um candidato fora de contato com muitos eleitores em temas como o aborto e os direitos homossexuais. Alguns dos conselheiros de McCain dizem que eles também acham que Obama demonstrou vários pontos vulneráveis como candidato que eles procurarão explorar: eles argumentam que ele tem uma tendência a ficar irritado quando fica cansado ou pressionado por perguntas difíceis, que ele tem problemas em se conectar com eleitores fora dos grandes comícios, e que ele tem feito uma campanha sem muito conteúdo.

Aos olhos da campanha de Obama, a principal fraqueza de McCain é a continuidade ao apoio à guerra do Iraque, seu apoio à prorrogação dos cortes de taxas feitos pelo governo em relação aos americanos mais ricos (idéia à qual ele já se opôs) e sua sugestão de que a economia fez um "grande progresso" nos últimos oito anos.Obama disse que não tem intenção de tornar a idade - McCain é 25 anos mais velho - um assunto aberto na campanha eleitoral geral. Mesmo assim, nas últimas semanas, a campanha de Obama afirmou o contrário ao mostrar o candidato em lugares - quadra de basquete, e cercado por sua jovem família - que poderiam ser interpretados como uma mensagem telegráfica que não aborda o assunto explicitamente.

Por Adam Nagourney e Jeff Zeleny em NYT

terça-feira, 6 de maio de 2008

THE WAY AHEAD FOR BRAZIL


Estudo sobre as perspectivas econômicas para Brasil, Rússia, Índia e China (BRICs) até 2050, ressaltando as principais transformações da economia brasileira no período recente, em particular na sua dimensão econômica, para situar o Brasil nesta discussão a respeito dos potenciais e deficiências dos BRICs, além de lançar um pouco de luz sobre os desdobramentos futuros esperados para as principais variáveis econômicas brasileiras.
De: PWC

CRESCIMENTO DOS BRICS JÁ ATRAI INVESTIDORES DE TODO O MUNDO

Foi em novembro de 2001 que Jim O'Neill, um economista do Goldman Sachs, cunhou o termo atualmente usado para descrever o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, países emergentes de rápido crescimento, no artigo econômico "Buiding Better Global Economic Brics" (algo como "Construindo Melhores Tijolos Econômicos Globais". Na criação do termo "Brics", o autor jogou com o homófono "bricks", ou tijolos). Ele argumentou que, até o final da década, estas quatro economias poderiam representar mais de 10% do produto global bruto.

Em apenas seis anos, o banco de investimento reformulou drasticamente aquela previsão. Em novembro passado ele previu que a economia chinesa ultrapassaria a dos Estados Unidos por volta de 2027, que a Índia alcançaria a economia norte-americana até 2050 e que as quatro nações, como um grupo, superariam o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) em 2032. Assim, apesar de todo o recente debate a respeito da "desconexão" entre os mercados Bric e o Ocidente e a subseqüente "reconexão" durante a retração de crédito, estas são oportunidades de crescimento de capital de longo prazo que os gerentes financeiros - e os seus clientes - não podem ignorar.

A história do crescimento dos Brics já está circulando por todo o mundo. No ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) calculou que os Brics e os mercados emergentes que eles estão ajudando a alimentar respondiam por 30% da economia global, e por 47% de todo o crescimento mundial - sendo a China o maior contribuidor, com o Brasil, a Rússia e a Índia não muito atrás.Mas não são só as commodities e a produção industrial de baixo custo que estão impulsionando este crescimento. Segundo a Reuters, é na Índia e nas economias asiáticas emergentes que está instalado quase 26% do mercado global de serviços de tecnologia da informação, e esta percentagem está aumentando em um ritmo anual mais rápido do que os dos serviços de tecnologia da informação nos mercados desenvolvidos. Esse crescimento é alimentado tanto pela demanda internacional quanto pela doméstica. As economias Bric ajudaram a expandir a fatia das exportações globais referente aos mercados emergentes de 20% em 1970 para 42% em 2006, de acordo com a revista "Professional Wealth Management".

Ao mesmo tempo, os fluxos de capital para os Brics e os mercados emergentes atingiram níveis recordes, e o Instituto de Finanças Internacionais anunciou que os investimentos estrangeiros diretos nestes países saltou de US$ 167,4 bilhões em 2006 para US$ 255,6 bilhões em 2007, em uma expansão de mais de 50%.Na verdade, desde que o termo Brics surgiu pela primeira vez no léxico do setor de wealth management (administração de patrimônio e riqueza), os fluxos de investimentos têm alimentado os mercados de ações desses países emergentes.

De novembro de 2001 e novembro de 2007, o mercado de ações do Brasil cresceu 369%, o da Índia 499%, o da Rússia 630% e o da China 201%, caso se use como parâmetro o mercado de "A-shares", ou 817% pelo Hang Seng China Enterprise Index. Com mercados de ações tão robustos, não é de se surpreender que os países Bric tenham respondido por 39% das ofertas públicas iniciais (IPOs) mundiais no ano passado, o que representa um aumento de 32% em relação a 2006. Assim, para os investidores privados, a maneira mais óbvia de obter exposição a esses mercados é por meio dos fundos de ações ativamente administrados.Michael Konstatinov, gerente de fundos da empresa alemã de seguros e serviços financeiros Allianz, afirma que os países do Bric estão exibindo sinais de desaceleração em 2008.

Ele argumenta que esses países continuarão sendo cruciais para o crescimento econômico global, com o Brasil alcançando o mais intenso crescimento econômico e a maior expansão das exportações, a Rússia compensando os menores fluxos de capitais com os elevados preços do petróleo, a Índia alavancada pelo maior consumo interno e a China mantendo índices de crescimento do produto interno bruto acima de 10%, graças aos preços flutuantes das suas commodities domésticas e os custos baratos de frete."Acredita-se que o Brasil terá melhor desempenho do que a China em 2008", afirma Konstantinov. "Acreditamos que isto deverá apoiar os preços dos ativos e especialmente o mercado de ações no Brasil, tornando o país menos vulnerável ao que ocorrer na economia global no ano que vem".

Mas alguns wealth managers, ou administradores de investimentos e riqueza, questionam o momento da entrada dos gerentes de retail funds nos Brics. Graeme Currie, do Alan Steel Asset Management, diz: "A questão agora é saber qual é o vigor que estes países ainda possuem. Será que as taxas de expansão sem precedentes são sustentáveis? A indústria de serviços financeiros possui um histórico notável no que se refere a alçar os fundos de nichos rumo ao extremo superior da parábola - pensem no setor de tecnologia, de fundos de saúde e de propriedade comercial". Currie ainda concorda que os gerentes de retail funds mais experientes devam escolher bem as ações e capitalizar novos crescimentos desses países. Atualmente, porém, os bancos privados estão sugerindo formas de se obter uma exposição mais no estilo institucional e com gerenciamento de capital de risco.

A UBS utiliza imóveis, private equity e produtos estruturados vinculados a commodities e moedas para proporcionar aos seus clientes a exposição aos Brics. "Sabemos para onde o navio está navegando, só que a rota pode ser meio tempestuosa", explica Gavin Rankin, diretor de consultoria de produtos e serviços da UBS Wealth Management no Reino Unido. "Portanto, usamos uma perspectiva de longo prazo e pensamos em diferentes classes de ativos".Os investimentos em imóveis são feitos por meio de um fundo especializado que diversifica a exposição em um conjunto de gerenciadores de fundos. Este fundo pode fazer investimentos oportunistas na construção de propriedades residenciais e comerciais, nas áreas dos países Bric que se beneficiam da expansão da atividade econômica e da classe média.

A exposição às equities privadas pode ser proporcionada em vários setores, do capital de risco ao capital de crescimento, das compras de direitos às companhias em apuros. Mas é no capital de crescimento que a UBS enxerga mais oportunidades - a empresa fechou no ano passado um fundo global que investia em "companhias que tentavam chegar ao próximo estágio" e conta com uma alocação de recursos de 25% na Índia. "Isto é outra coisa que os clientes adoram", afirma Rankin. "É algo que tem um horizonte de longo prazo, e que se baseia em um tema de longo prazo de fato atraente: a emergência de gigantes".Recursos cambiais e de commodities são investidos por meio de produtos estruturados a fim de garantir proteção de capital. Esses investimentos oferecem uma oportunidade baseada nas moedas dos Bric, que estão se fortalecendo em relação ao dólar. Os preços dos produtos agrícolas também estão fortes, algo que está vinculado à tendência dos países Bric de adotar dietas mais ocidentais. "Os clientes estão investindo em diversos produtos estruturados baseados em índices de alimentos", explica Rankin. "O interesse inicial foi dos clientes que enxergaram nisto um tema de investimento - talvez eles tivessem sido expostos a tal setor nos seus próprios negócios.

Mas esta prática está também embasada em pesquisas sólidas". Os clientes da UBS podem até contar com a oportunidade de investir em um fundo destinado à compra de terras para atividade agropecuária na América Latina, investir na estrutura produtiva da propriedade e sair após sete anos por meio de venda ou ofertas públicas iniciais. "Nós usamos alguns fundos de ações", admite Rankin. "Mas é possível se expor a alguma volatilidade de curto prazo. Assim, a maioria dos clientes expõe-se aos mercados emergentes por meio de produtos estruturados. Eles apreciam a idéia, mas não estão preparados para perder tudo neste setor".

O Barclays Wealth também adota uma abordagem mais institucional ao oferecer aos seus clientes oportunidades na América Latina, na Índia, na China e na Europa Oriental. Ele usa somente fundos de longo prazo cuja exposição está alinhada com o mercado, juntamente com investimentos de longo prazo em private equities, imóveis e infra-estrutura.Barbara-Ann King, diretora de produtos alternativos do Barclays Wealth, explica: "Muitas vezes os clientes não são capazes de obter acesso a essas oportunidades por conta própria, e é preciso que os seus investimentos sejam profissionalmente gerenciados. O acesso a tais produtos de qualidade institucional é proporcionado aos clientes privados via 'feeder funds' com níveis de entrada mais baixos".No momento, o Baclays Wealth está de olho especialmente nos setores de infra-estrutura e de imóveis na Índia, e nos de agricultura e infra-estrutura na América Latina.

A instituição também acredita que as cidades adjacentes na China parecem ser viáveis para investimentos no setor imobiliário e de infra-estrutura, e está monitorando as oportunidades."Os produtos serão fornecidos em grande parte por uma estrutura clássica de private equity com investimento de dez anos", afirma King. O Credit Suisse sugere uma abordagem de menor custo. "Uma das maneiras mais fáceis e baratas, mas igualmente efetiva, de fazer tal coisa é por meio dos exchange traded funds (ETFs, ou fundos de investimento em índice com cotas negociadas em bolsa ou mercado de balcão organizado)", argumenta Paul Sarosy, diretor de administração e de soluções de investimentos do banco.

Ele observa que atualmente os investidores podem comprar imediatamente um ETF ou criar as suas próprias carteiras Bric de acompanhamento dos índices de países individuais."Essas são algumas oportunidades de longo prazo extremamente empolgantes, de forma que estamos tentando fornecer soluções de investimentos a todos os investidores", diz Nick Shellard, diretor de desenvolvimento de negócios do iShares no Reino Unido e na Suíça.O que o FTSE Bric 50 do iShares é capaz de fazer é acrescentar diversificação a qualquer carteira de investimento, evitando riscos de ações específicas, e permitindo aos investidores alocar os seus orçamentos de risco em outros mercados nos quais acreditem que sejam capazes de alcançar um 'retorno alfa'. Isto é algo que pode ser usado pelo maior fundo de pensões, por fundos de hedge de dinheiro rápido ou por investidores individuais".

O iShares também fornece ETFs individuais referentes ao Brasil e à China, e mais um fundo recém-lançado que acompanha o JPMorgan Emerging Market Bond Index. No entanto, para obter uma exposição diversificada em todas as classes de investimentos dos Brics, os investidores ainda precisam recorrer a uma firma de wealth management."O objetivo do wealth manager é, acima de tudo, proteger o investimento do cliente", afirma Sarosy. "Com a nossa estrutura aberta, podemos encontrar oportunidades que não estão disponíveis para os investidores individuais 'afluentes'".

Por Matthew Vincent no FT

sábado, 3 de maio de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

BRAZIL REACHES INVESTMENT GRADE


Standard & Poor’s decision to elevate Brazil’s bonds from junk status to BBB puts them within reach of portfolio managers who avoid high-risk investments and signals the maturing of the country’s financial infrastructure. But Brazil will continue to progress only if it continues to remove the barriers to productivity.