quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A PERCEPÇÃO COMO FATOR-CHAVE NA COTAÇÃO DO PETRÓLEO

A cotação do petróleo no mercado internacional vem caindo desde julho, quando atingiu o ápice de US$ 147. Seis meses depois, o barril já está mais de US$ 100 mais barato.
Preocupada com isso, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) anunciou um corte recorde na produção, de 2,2 milhões de barris, que deve passar a vigorar em janeiro de 2009.
Por que os preços subiram tanto até julho?
Economistas costumam dizer que o preço de um produto é resultado da relação entre oferta e demanda. De fato, essa é uma das raízes da alta na primeira metade de 2008. A demanda por petróleo aumentou, especialmente por parte da China e da Índia, países que nos últimos anos vêm registrando uma alta taxa de crescimento econômico. Por outro lado, a cotação do petróleo também é influenciada por problemas enfrentados pelos países exportadores. A indústria petrolífera e os oleodutos na Nigéria e no Iraque, por exemplo, costumam ser alvo de ataques. Devido a esses problemas, cresce a preocupação de que a oferta não vá suprir a demanda, e o preço sobe.
Por que os preços caíram tão rapidamente nos últimos meses?
Economistas acreditam que isso ocorreu por causa da crise financeira global. Na metade do ano, começaram a surgir sinais de que havia problemas na economia dos Estados Unidos e, desde então, diversos países foram obrigados a adotar medidas para tentar frear o desaquecimento econômico. Em uma crise econômica, diminui a oferta de crédito e as pessoas e empresas evitam investir no que não consideram essencial. Isso acaba levando a uma queda na demanda por petróleo, algo que vem ocorrendo em todo o mundo. Dados recentes indicam, por exemplo, que os motoristas americanos reduziram seu consumo de gasolina em mais de 5% nos últimos 12 meses. Como há menor demanda, diminui o preço do produto.
É tão simples assim?
Seria, se as pessoas soubessem exatamente quanto petróleo existe. Essa é uma variável importante, que pode influenciar os preços no futuro, revertendo as baixas que estamos vendo neste momento. Ninguém sabe ao certo qual o volume das reservas de petróleo que ainda existem para ser exploradas. Muitos produtores evitam dar detalhes sobre quanto petróleo já extraíram e também não se sabe quanto do produto está em petroleiros espalhados pelo mundo.
Além disso, não há dados confiáveis sobre quanto petróleo os países guardam em suas reservas para o caso de emergências, nem quanto petróleo exatamente é consumido no mundo. Por tudo isso, o que influencia verdadeiramente os preços é a percepção que as pessoas têm da oferta e da demanda, e não esses dois fatores em si. Isso significa que, quando dados reais sobre o petróleo são divulgados, como o balanço semanal das reservas de petróleo dos Estados Unidos, eles acabam tendo uma influência muito grande - já que poucos países são tão transparentes nessa área. Tirando isso, o mercado do petróleo é como o de qualquer outra commodity, não é?
Não, o mercado de petróleo tem algumas características próprias. Primeiramente, existe a Opep, o cartel que controla 55% do petróleo exportado no mundo. A organização coordena aumentos e quedas da produção, para que todos os seus membros adotem a mesma medida. Nem sempre isso dá certo, mas certamente a existência da Opep indica que o mercado de petróleo não opera livremente, como acontece com outras commodities.
Em segundo lugar, o petróleo tem a característica de ser um produto não-renovável, ou seja: um dia, vai acabar. Nisso, assemelha-se a commodities como o minério de ferro ou manganês. Os primeiros barris que foram extraídos foram os mais fáceis de obter. À medida que o produto ficar escasso, será necessário investir mais dinheiro para o produto que é mais difícil de extrair e refinar. É o caso do petróleo da camada pré-sal, no Brasil, que exigirá um investimento milionário para ser trazido à superfície. Por causa dessa variável, é natural que, com a passagem do tempo, o petróleo fique mais caro. Por fim, o petróleo é influenciado por fatores aleatórios. Se um furacão passar pelo Golfo do México, pode interromper a produção na região. O mesmo pode acontecer no Oriente Médio se, por exemplo, um novo conflito começar por lá, e tudo isso tende a elevar os preços.
Países que não pertencem à Opep têm capacidade de influenciar o preço do produto? Sim, bastante. A Rússia é o segundo maior produtor mundial e não pertence à Opep. Outros produtores importantes que não fazem parte do cartel são o México, a Noruega e o Azerbaijão. Ao anunciar que vai cortar em 2,2 milhões de barris por dia a produção, a Opep pediu que os não-membros colaborem com o esforço e também adotem a mesma medida. A Rússia, que enviou um representante à reunião, indicou que cogita fazer isso, mas não deu nenhuma garantia. Nos anos 90, além da Rússia, México e Noruega decidiram se unir e diminuir a produção para elevar o preço do barril, que, na época, estava em cerca de US$ 10.
Qual é o papel dos especuladores no mercado? Desde que o preço do petróleo começou a cair, cada vez menos se ouve falar dos especuladores, mas eles continuam bem ativos nesse setor. Eles compram contratos de entrega futura de petróleo na esperança de que eles se valorizem antes de vendê-los para que, assim, possam lucrar. Se avaliam que o preço vai cair, eles também podem vender contratos que ainda não têm e comprá-los depois, antes que tenham que entregá-los aos seus donos. Mesmo aqueles que acreditam que o mercado funciona puramente na base da oferta e da demanda concordam que os especuladores aumentam a volatilidade das cotações. A influência dos especuladores pode fazer com que um fator que no passado poderia mudar a cotação do petróleo em alguns poucos centavos aumente em um dólar o preço do barril.
Os especuladores também tornam relevantes fatores que antigamente não mudariam em nada as cotações. Que tipo de fatores? Até mesmo testes nucleares na Coréia do Norte já foram citados como razão para que o preço do petróleo aumentasse - embora seja difícil ligar os dois pontos e imaginar a relação de uma coisa com outra.
Em um mercado com uma carência tão grande de informações confiáveis, basta pessoas suficientes acreditarem que um fator vai ter alguma influência no preço do petróleo que ele terá.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA: AS RAZÕES DA CRISE

A indústria automobilística, tanto a européia quanto a americana, é a primeira grande vítima da crise financeira. A velocidade com a qual o setor vem sofrendo as conseqüências do desaquecimento econômico tem algo espantoso. As vendas vêm desmoronando dos dois lados do Atlântico. Os anúncios de fechamentos de usinas vêm se multiplicando. Nenhuma montadora escapa de uma revisão drástica das suas perspectivas de faturamento. Diversas razões explicam o caráter repentino e a rapidez avassaladora do desastre.

Em primeiro lugar, a indústria automobilística apresenta uma extrema sensibilidade às variações de consumo. Não há nada mais fácil para as famílias ou as empresas do que postergarem em seis meses, e até mais, a compra de um veículo, uma vez que se trata de uma aquisição pesada para todo e qualquer orçamento. Além disso, a indústria automobilística vem sendo atingida em cheio pela crise do crédito. Nos países desenvolvidos, os três quartos dos carros são comprados a crédito. Quando o acesso a este último torna-se mais difícil, o impacto sobre as vendas é imediato.

A terceira razão diz respeito à organização do setor, no qual todas as atividades são concatenadas e interdependentes. Basta que os consumidores compareçam em menor número nos centros de vendas das concessionárias para que as usinas sejam obrigadas a reduzirem suas cadências de produção, e até mesmo a fecharem parcialmente. Além disso, a estocagem de veículos produzidos, mas que não foram vendidos, revela ser muito mais custosa do que a colocação em regime de desemprego parcial de uma parte dos assalariados.

Uma vez definido este contexto, a situação da indústria automobilística nos Estados Unidos e na Europa tem de fato poucas coisas em comum. Com efeito, nos Estados Unidos, esses problemas conjunturais vêm se somar a uma pesada crise estrutural.

Assim, é evidente que os atuais problemas das montadoras americanas já estavam amplamente configurados, muito antes da crise dos "subprimes" (créditos hipotecários de taxas variáveis). Em primeiro lugar, há muitos anos que os erros estratégicos manifestos das montadoras vêm produzindo seus efeitos: no decorrer dos anos 1980, a General Motors (GM), a Ford e a Chrysler se precipitaram para tirar proveito do lucrativo mercado das vans 4X4, deixando amplas avenidas para os japoneses no segmento dos carros pequenos. Agora que, por conta da disparada dos preços da gasolina, os consumidores americanos não querem mais comprar as 4X4, as "Big Three" (as Três Grandes) se encontram presas numa armadilha, uma vez que elas nunca conseguirão recuperar o terreno que elas perderam nos últimos 15 anos.

Além do mais, a sua administração revelou ser deficiente. Apesar de amargar perdas no valor de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 116 bilhões) e uma redução drástica das suas partes de mercado, nunca o conselho de administração da GM chegou a questionar as decisões estratégicas do seu CEO, Rick Wagoner. Enquanto isso, na Ford, as hesitações tiveram um preço alto, a ser pago à vista. Bill Ford, o herdeiro da família não era o homem certo para enfrentar a situação e foi obrigado a ceder seu lugar depois de alguns meses para Allan Mulally. A Chrysler, por sua vez, vem pagando pelas conseqüências dramáticas da sua fusão fracassada com a montadora alemã Daimler.

Por fim, há muitos anos que a GM, a Ford e a Chrysler vêm padecendo de uma estrutura de custos não adaptada às novas realidades. Obrigadas a assumirem as aposentadorias e as despesas com saúde dos seus assalariados, as montadoras americanas se vêem forçadas a arcar com um custo adicional médio por carro de US$ 1.400 (cerca de R$ 3.220) em relação às suas principais concorrentes japonesas. Um acordo com os sindicatos ainda chegou a ser firmado no ano passado, o que fez com que elas pudessem se livrar destes encargos, mas, a novidade sem dúvida aconteceu tarde demais: os seus efeitos só começarão a ser sentidos a partir de 2010. Daqui até lá, as Big Three terão todo o tempo do mundo para morrerem dez vezes.

Em meio a este contexto, a crise atual nada mais é do que o catalisador de uma multidão de problemas, que, caso eles tivessem sido enfrentados em tempo hábil não teriam conduzido as Big Three à beira da falência.

Em Le Monde, 20/11

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CRISIS BECOMES GLOBAL CRASH

Vale a pena ler a previsão do FT

NYSE, 1929

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

CENÁRIOS PARA OS BIOCOMBUSTÍVEIS

Em um período em que as reservas do pré-sal e a instabilidade da economia dominam as pautas das discussões, a FAO começa a desenhar o cenário para o setor de biocombustíveis em 2030.

domingo, 21 de setembro de 2008

INTERBRAND BEST GLOBAL BRANDS 2008

Foi publicado nesta semana a edição 2008 do estudo mais conceituado relacionado ao valor das marcas globais, elaborado pela Interbrand.

Vale a pena analisar os resultados e fazer o download gratuíto do estudo completo.

Os resultados também são publicados e analisados pela Business Week.

O BRASIL PROCURA FORMAS DE FAZER O MELHOR USO POSSÍVEL DO SEU NOVO STATUS DE GRANDE POTÊNCIA PETROLÍFERA

Alguns dias atrás, numa plataforma petroleira ao largo do litoral do sudeste do seu país, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deixou-se levar por um ímpeto de lirismo que era sem dúvida justificado. "Este é um sinal de Deus, um passaporte para o futuro", exclamou, referindo-se às imensas jazidas de petróleo e de gás que foram descobertas recentemente nas águas muito profundas do Atlântico.

O entusiasmo do presidente Lula não parece ser exagerado. Um tesouro energético, situado a cerca de 250 quilômetros ao largo dos Estados de Santa Catarina, São Paulo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo aguarda para ser explorado. Esses campos petrolíferos estendem-se ao longo uma faixa de 800 quilômetros de comprimento, e de 200 quilômetros de largura. O "ouro negro" que eles contêm está enterrado numa profundidade que varia de 5.000 a 7.000 metros, debaixo de uma espessa crosta de sal que chega a alcançar 2.000 metros.

A jazida de Tupi, que foi descoberta em novembro de 2007 na bacia de Santos, contém entre 5 e 8 bilhões de barris recuperáveis, de um petróleo bruto leve, e, portanto, bastante fácil de refinar a um custo moderado. Na melhor das hipóteses, ele representaria por si só a totalidade das reservas da Noruega. A jazida de Tupi sozinha permitiu duplicar as reservas comprovadas do Brasil, as quais passaram para 14 bilhões de barris. Já, os campos situados em alto-mar, segundo permitem afirmar as previsões atuais, poderiam conter entre 50 e 80 bilhões de barris.

Quer essas previsões sejam, ou não, inteiramente confirmadas, uma coisa é certa: o Brasil está no processo de tornar-se uma grande potência petroleira. O país produz atualmente 2,3 milhões de barris/dia. E quando a jazida de Tupi entrar em atividade, daqui até 2015, ele produzirá mais de 4 milhões barris/dia.

Em 2 de setembro, o chefe do Estado deu a autorização oficial para deslanchar o programa de extração nas águas muito profundas, a partir da plataforma P-34 da companhia nacional Petrobras. A exploração deste poço de perfuração servirá como experiência "piloto", e como referência para aquela da jazida de Tupi.

Em função da sua amplidão, essa "divina surpresa" petroleira conduziu o governo a se interrogar a respeito de três questões: quem vai administrar a produção das "megareservas" em águas muito profundas? Quem receberá e gerenciará as grandes quantidades de dinheiro que elas irão gerar? Qual será a sua utilização?

Sem querer lesar em demasia a "nossa cara Petrobras" - conforme esta é chamada pelo presidente Lula -, o governo está desde já inclinado a entregar a administração dos futuros campos para uma nova agência de Estado, bastante similar àquela que existe na Noruega. Este organismo aplicaria os dividendos do petróleo num fundo soberano que seria encarregado de fazê-los frutificarem. Um comitê interministerial deverá pronunciar-se a respeito deste projeto até o final do ano.

Movido por uma propensão ao nacionalismo petroleiro, o Estado quer, ao mesmo tempo, controlar melhor a produção e aumentar seus lucros. Foi em função desta orientação que a atribuição das concessões para perfuração foi suspensa em 2007. A lei será alterada e os futuros contratos serão menos favoráveis para as companhias estrangeiras, pois elas deverão pagar royalties mais elevados para o Estado. "Está fora de cogitação que deixemos os lucros provenientes do petróleo nas mãos de uma meia-dúzia de sociedades", avisou o presidente brasileiro.

As multinacionais do setor estão preocupadas diante da perspectiva de se verem retirar uma parte dos recursos apetitosos prometidos pelas recentes descobertas. Elas insistem no fato de que o Brasil vai precisar do seu dinheiro para a implementação dos enormes investimentos exigidos pela exploração em águas muito profundas.

As autoridades de Brasília também estão interessadas numa nova repartição das riquezas petroleiras - cuja exploração movimentou US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 13,25 bilhões) em 2007. Esta redistribuição deverá ser mais favorável para o Estado federal e menos generosa para com os Estados federados e as municipalidades, que são suspeitados de desperdiçá-las. O orçamento do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, tem sido amplamente alimentado pelo "ouro negro". "O petróleo pertence à União", lembrou o presidente Lula.

O que fazer com esse dinheiro? O presidente pretende utilizá-lo para viabilizar dois objetivos sociais: financiar a educação e erradicar a pobreza. O aumento considerável desses recursos pressupõe implantar uma indústria petroleira poderosa. Esta última estimulará, por meio de um virtuoso contágio, os outros setores industriais, e deverá fazer com que o país passe a vender para a Europa, os Estados Unidos e o Japão produtos refinados de forte valor agregado, tais como o diesel.

No dia em que a sua produção superar as necessidades nacionais, o Brasil não pretende exportar petróleo bruto. Foi por esta razão que ele recusou educadamente o recente convite para tornar-se um integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que lhe havia sido transmitido pelo Irã.

Por Jean-Pierre Langellier em Le Monde - 13/9

domingo, 31 de agosto de 2008

Shai Agassi's Audacious Plan to Put Electric Cars on the Road

Na excelente Wired, uma reportagem com Shai Agassi, responsável pelo Project Better Place.

Em parceria com a Nissan/Renault é uma tentativa de desenvolver a tecnologia e viabilizar a comercialização de carros elétricos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

BIODIESEL SERÁ TEMA DE EVENTO EM SP


Polêmica entre a produção de alimentos e de biocombustíveis será um dos temas a serem abordados

Entre os dias 26 e 28 de agosto ocorrerá, na capital paulista, o 4º Biodiesel Congress, com promoção da IBC, em parceria com a F.O. Lichts e Agra FNP. "O evento, que reunirá executivos do governo federal, órgãos reguladores e investidores para discutir o biodiesel no contexto energético brasileiro e mundial, colocará em debate também a polêmica que envolve a produção de biocombustíveis e de alimentos", diz o gerente de Projetos da IBC e responsável pelo evento, Vinnicius Vieira.

O diretor-executivo da International Ethanol Trade Association, Joseph Sherman, o pesquisador da Embrapa, Décio Gazzoni, e o diretor da Conab, Silvio Porto, falarão sobre o real impacto de biocombustíveis e do biodiesel na oferta de alimentos.

Outro destaque será a apresentação do superintendente da Agência Nacional do Petróleo, Edson Silva. O executivo analisará as perspectivas para a distribuição e o papel de uma nova empresa no mercado de biodiesel. Estes assuntos também serão tratados pelo presidênte da Petrobrás Biocombustíveis, Alan Kardec, e pelo diretor da Global Agrienergy, André Vienna.

Outros assuntos são as oportunidades no mercado global e a participação do biodiesel na matriz de combustíveis; a formação de um mercado global para compensar os custos de produção e as projeções de mercado para 2030, além de bionergia e experiências de empresas na produção de biodiesel a partir de matérias-primas como pinhão-manso, mamona, soja, sebo bovino e óleo de palma. Dois workshops encerrarão os trabalhos.
O Estado de São Paulo, 20/08/2008

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

SAMANTHA POWER E VIEIRA DE MELLO

Para quem se interessa por boa leitura, ótima biografia, excelente escritora e excepcional personagem, Samantha Power, autora do "O Homem que queria salvar o mundo" estará as 19h30 de hoje, 18 de agosto na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista.

Uma boa chance de adicionar um novo livro autografado para os herdeiros(as).

quarta-feira, 30 de julho de 2008

RODADA DOHA: APOSTA FRACASSA E LAMY FINALMENTE ADMITE DERROTA


Mais um verão, mais uma reunião ministerial fracassada na Rodada Doha.Nove dias quentes e úmidos com negociações até tarde da noite, boatos generalizados, paciências perdidas e recuperadas - e um surto incomum de otimismo na segunda metade das negociações - no final não deram em nada.A convocação de uma reunião de ministros, ainda que persistissem grandes lacunas quanto às negociações, foi, desde o início, uma aposta de Pascal Lamy, o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC). Mas ele precisa decidir até dezembro deste ano se deseja um outro mandato de quatro como diretor da OMC, e, sendo assim, pode ser que tenha achado que valia apenas fazer esta última aposta nas negociações.

A primeira semana começou com esperanças modestas. Em público, os ministros apoiaram a visão de Lamy, segundo a qual as chances de sucesso eram melhores do que nunca. Mas, reservadamente, poucas autoridades afirmavam que tais chances eram maiores do que 30%.Os acontecimentos logo passaram a seguir um padrão: de manhã uma reunião maior, com os membros da OMC, e depois um encontro menor, do qual participavam de 30 a 35 ministros, no chamado processo do "salão verde" - assim denominado devido ao salão pintado de verde que foi utilizado em anos anteriores para a reunião de grupos pequenos de negociadores.

Os Estados Unidos geraram uma certa movimentação na terça-feira da semana passada, ao proporem a redução do teto dos subsídios aos seus produtores rurais para US$ 15 bilhões (? 9,6 bilhões, £ 7,5 bilhões). O número ficou uns dois bilhões de dólares abaixo da oferta anterior de Washington, e é muito menor do que o atual limite de US$ 48 bilhões - conforme observaram prontamente o Brasil e a Índia -, embora equivalha a aproximadamente o dobro dos subsídios atuais.Mas o clima ficou difícil na manhã da quarta-feira, após a chegada de Kamal Nath, o ministro do Comércio da Índia, que estava em Nova Déli ajudando o seu governo a sobreviver a um voto parlamentar de confiança. Nath, que no passado acabou com reuniões que ele sentia que não transcorriam bem, teve uma atuação ambígua. Primeiro ele fez um discurso duro, chamando os países ricos de prepotentes e afirmando que não negociaria os interesses dos pequenos produtores rurais. Mas, ao falar à imprensa, Nath adotou um tom mais moderado.As negociações começaram a emperrar quando chegou-se a algumas questões difíceis: os países em desenvolvimento desejando proteger os vulneráveis pequenos produtores rurais e excluir os setores industriais das reduções de tarifas de importação. Um grupo menor de sete parceiros centrais de negociações - União Européia, Estados Unidos, Brasil, Índia, Austrália, Japão e China - reuniu-se até as 3h da madrugada de quarta-feira, sem que houvesse muito progresso.Naquele momento as negociações pareciam estar na iminência de fracassar.

Os membros da delegação da União Européia passaram a embarcar em vôos a partir de Genebra na quinta-feira. E também na quinta-feira as negociações chegaram tão perto de um colapso que Mariann Fischer Boel, a comissária de Agricultura da União Européia, redigiu e mandou imprimir um discurso, preparando-se para comentar o fiasco.Porém, depois que o incansável Lamy começou a fazer circular potenciais compromissos, as conversações foram resgatadas. Atribui-se também a um telefonema entre Nath e Manmohan Singh, o primeiro-ministro indiano, a suavização do tom utilizado pela Índia. A minuta de um acordo que circulou na última sexta-feira foi aceita - com bastante relutância no caso de alguns países, como a Argentina, que desejava maior proteção para as suas indústrias - como base para negociação.Após uma sessão informal bem-sucedida sobre serviços, ocorrida no fim de semana, aumentou a perspectiva até então distante de um acordo.Mas o acordo para a negociação acabou revelando-se nada mais do que isto, e a discórdia ressurgiu segundo um padrão familiar.

Os Estados Unidos, com a cobertura de alguns exportadores agrícolas do mundo em desenvolvimento, como o Uruguai, insistiram que a Índia e a China abrissem os seus mercados de algodão e arroz. A Índia e a China, apoiadas por países de peso como a Indonésia, declararam que os Estados Unidos estavam pedindo um sacrifício excessivo a Pequim e Nova Déli.Até então Pequim ficava na retaguarda das negociações, apesar da solicitação norte-americana de que a China assumisse um papel de liderança. Washington acabou tendo o seu desejo atendido, mas não da forma que desejava. Na última segunda-feira a China manifestou-se, denunciando publicamente a hipocrisia dos Estados Unidos por subsidiarem pesadamente os seus cotonicultores - um dos pontos mais vulneráveis e sensíveis dos norte-americanos -, enquanto exigem que os outros países exponham os seus produtores de algodão a uma competição intensa.

A China chamou atenção para o fato de que o país já promoveu uma rápida liberalização como preço para ingressar na OMC em 2001, na mesma reunião na qual foi criada a Rodada Doha.As conversações prosseguiram penosamente por mais dois dias, até que finalmente chegaram a um fim, sem que nenhum país mostrasse disposição para dar o golpe de misericórdia, devido ao temor de ser acusado de matar a negociação. Mas Lamy acabou admitindo que a sua aposta não deu resultado, e a Rodada Doha, que tem seis anos de idade, voltou a cair em um limbo.


Em FT, 30/7

quarta-feira, 23 de julho de 2008

SERÁ QUE AS NEGOCIAÇÕES DE COMÉRCIO MUNDIAL PODEM ACOMPANHAR O RITMO DA MUDANÇA GLOBAL?

Quando as negociações de comércio global entraram pela noite em Genebra no verão de 2006, tantos negociadores lotavam a sala que enfrentaram uma escolha pouco palatável: manter as janelas fechadas e suar ou abri-las e lidar com uma nuvem de insetos dos parques lá fora.
Para os ministros que se preparam para as novas negociações a partir de segunda-feira, a boa notícia é que a sala de reunião terá ar-condicionado. A má notícia é que talvez esteja ainda mais cheia do que há dois anos - e as negociações podem durar ainda mais.Iniciada há sete anos, a Agenda de Desenvolvimento de Doha - nome oficial para as negociações comerciais - chegará a um clímax na próxima semana. As reuniões determinarão se poderá ou não haver um acordo global.
As negociações testarão se as estruturas frágeis que governam o comércio global podem acomodar o crescimento de poderes econômicos novos e assertivos, como China, Brasil e Índia.De acordo com o negociador da União Européia, Peter Mandelson, um fracasso em Genebra tornaria impossível um acordo por ao menos dois anos e prejudicaria as negociações multilaterais em outros tópicos, como mudança climática. Se as negociações desmoronarem, haverá outra baixa: a credibilidade da própria Organização Mundial de Comércio.
E mesmo que os ministros concordem com o esboço de um acordo em sua maratona, alguns se perguntam se esta não seria a última negociação desse tipo. Com o poder econômico em torno do globo mais igualmente distribuído, as negociações de comércio mundiais se tornaram tão atrapalhadas quanto lentas."A questão é se as rodadas de negociação de comércio que duram uma década podem acompanhar o ritmo das mudanças econômicas. E a resposta é: provavelmente não", disse Joe Guinan, especialista em comércio do Fundo Marshall alemão de política pública.Os próprios dados da organização ilustram seus problemas.Quando o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, ou Gatt, entrou em vigor em 1948, 23 países concordaram em segui-lo. Hoje a OMC, sucessora do Gatt, tem 153 membros, todos os quais estarão representados por diplomatas ou até por ministros nesta rodada de negociações. Por exemplo, a delegação oficial do Canadá terá cerca de 40 representantes, mas, contando representantes de governos estaduais, produtores, comerciantes e outros, um total de 150 canadenses convergirá em Genebra. Os países se organizam em subgrupos, tais como G20 ou G33, que têm interesses similares (mas não idênticos). Mesmo assim, as principais negociações, que ocorrem na chamada sala verde, reúnem de 35 a 40 ministros."Não acho que as negociações de comércio globais jamais tenham sido fáceis. Mas se tornaram ainda mais difíceis porque é um processo mais complexo, há mais jogadores e há mais a perder e ganhar", disse Nigel Gardner, ex-porta-voz da Comissão Européia e atual diretor da firma de consultoria em comunicações G Plus Europe.
A pessoa que administrará esse jogo de xadrez tridimensional é Pascal Lamy, um francês cerebral e asceta, ex-comissário de comércio europeu que hoje é diretor-geral da OMC. Sua tarefa não é nada invejável."Esta reunião ministerial será dura, longa e poderá ser sangrenta", disse uma autoridade européia que não é autorizada a falar publicamente."Na última ocasião, havia mais de trinta ministros na sala verde, cada um com um assistente - pessoas empoleiradas em cadeiras nada confortáveis atrás da mesa principal, em uma sala cheia e abafada, parecia um verdadeiro ambiente de comércio de cavalos", acrescentou a autoridade.As negociações testam a resistência dos participantes e algumas vezes atravessam a noite. Em 2004, as autoridades encontraram o exausto Lamy e seu colega europeu Peter Carl dormindo lado a lado em camas improvisadas em um escritório da OMC.
O que não está claro é se mesmo noites sem dormir podem gerar um acordo, enquanto a mudança acelerada do poder econômico global para o Leste torna a negociação ainda mais difícil.Um acordo entre a União Européia e os EUA costumava ser o maior bloco de construção da rodada, e um grupo conhecido como Quad - composto da União Européia, EUA, Canadá e Japão - era extremamente poderoso.O crescimento da China, Brasil e Índia alterou fundamentalmente o equilíbrio de poder. O Quad não teve nenhuma reunião significativa durante anos.E o apoio do negociador comercial brasileiro, Celso Amorim, e de seu colega indiano, Kamal Nath, agora é indispensável para o fechamento de qualquer acordo.As nações em desenvolvimento são três quartos dos associados da OMC. Os países mais pobres somente concordaram com a rodada de negociações se tivesse foco no desenvolvimento - por isso o título oficial de Agenda de Desenvolvimento de Doha - e têm sido cada vez mais assertivos, como conseqüência.
Entretanto, os interesses da Índia, por exemplo, são complicados. O governo teme o impacto de abrir seus mercados agrícolas, com seus milhões de agricultores de subsistência, mas está interessado em ganhar acesso aos mercados ocidentais para seus especialistas qualificados em programas de computador.Apesar de Pequim manter um perfil público mais discreto nas negociações comerciais, seu poder econômico permanece subjacente. Por exemplo, os países latino-americanos estão resistindo às demandas européias e americanas para redução de tarifas sobre bens industriais, em parte porque isso abriria seus mercados para mais exportações chinesas.Mesmo antes do início das negociações em Genebra, uma briga antiga em torno das tarifas européias sobre as bananas ameaça descarrilar toda a negociação. Nesta questão, as nações latino-americanas produtoras de banana estão discordando das ex-colônias européias, que têm termos preferenciais. Nenhum grupo concorda com o novo regime de tarifas proposto por Lamy e aceito pela Comissão Européia.
Como disse a representante comercial americana, Susan Schwab, na quinta-feira (17), há cerca de 30 questões pendentes e "meia dúzia de países podem, de fato, destruir a rodada".
A tarifa da banana é um exemplo de como uma questão relativamente específica pode destruir um acordo mais amplo.O fato é que Doha provoca pouco interesse entre os eleitores ocidentais e seus defensores não conseguiram persuadir as pessoas de seus benefícios para o Terceiro Mundo. "Se o acordo que está na mesa for aprovado, milhões das pessoas mais vulneráveis do mundo podem perder seus empregos e cair na pobreza", disse em declaração John Hillary, diretor-executivo do War on Want, um grupo que combate a pobreza e tem base em Londres.Muitos acreditam que a própria OMC precisa mudar. Guinan sugere um relaxamento da "campanha única", sob a qual nada é concordado até que tudo seja concordado.Uma mudança permitiria que colisões de países negociassem acordos setoriais - por exemplo, de produtos químicos.Guinan também acha que a equipe permanente da OMC deve ser fortalecida e seu diretor-geral deve ter o direito à iniciativa, ter o poder de convocar reuniões e a capacidade de prover apoio técnico às negociações comerciais. Outra idéia que foi levantada seria a de acabar com o princípio sob o qual todos os países, independentemente do tamanho, têm poder de veto na rodada de negociação.Enquanto isso, o novo relatório do Instituto Kiel para a Economia Global na Alemanha e do Centro de Pesquisa de Política Econômica dos EUA argumenta que as rodadas de negociações comerciais, que são tão longas que se estendem para além dos ciclos políticos dos principais países, precisam ser mais limitadas em seus objetivos - concentrando-se, por exemplo, no objetivo de aumentar o acesso ao mercado.Entretanto, a maior parte das mudanças tem seu lado negativo.Adotar um sistema de maioria similar ao que a União Européia usa para muitas de suas decisões seria altamente arriscado, porque poderia tornar mais difícil para as nações aceitarem os veredictos de resoluções de disputas da OMC. Se um país fosse vencido em um aspecto do acordo comercial, depois poderia achar politicamente impossível implementar a decisão da OMC que tarde fosse contra ele.Enquanto isso, permitir que grupos de países façam acordos setoriais minaria um dos principais ingredientes de uma rodada comercial: a capacidade de trocar concessões em um setor por ganhos em outro.Na segunda-feira, Mandelson rejeitou a noção de que as negociações atualmente são simplesmente complexas demais para terem sucesso. "É o mesmo que dizer que o mundo é tão complicado que não conseguimos mais nos unir em uma estrutura multilateral", disse Mandelson, acrescentando: "Se, depois de sete anos, você não consegue fechar uma rodada comercial, o que isso dirá de nossas perspectivas de alcançar um acordo sobre mudança climática?"Um fracasso em Genebra seria mais um golpe ao ambiente econômico, justo quando as principais economias enfrentam um desaquecimento.
Danificaria a OMC, levando a mais acordos comerciais bilaterais que freqüentemente distorcem o comércio, argumentam os críticos.No final, o fato dos riscos serem altos demais talvez seja uma das poucas razões para se ter otimismo com as negociações."Talvez a era das rodadas comerciais ainda não tenha acabado; talvez as pessoas decidam que é a pior idéia possível - se não contarmos todas as outras", disse a autoridade européia.
Em: Herald Tribune - 19/07/2008

quinta-feira, 3 de julho de 2008

ALGUMA COISA ESTÁ ERRADA, NÃO?

MATTEL - MAKER OF MATCHBOX CARS - MARKET CAP USD 6,2 bn
GM - MAKER OF REAL CARS - MARKET CAP USD 5,6 bn

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Krugman: nada irá trazer de volta os dias de petróleo barato

Paul Krugman

Colunista do The New York Times

O Congresso sempre teve uma queda por "especialistas" que dizem aos seus membros o que eles querem ouvir, sejam economistas do lado da oferta declarando que cortes de impostos aumentam a receita ou céticos em relação à mudança climática insistindo que o aquecimento global é um mito.No momento, o tapete de boas-vindas está aberto para os analistas que alegam que especuladores fora de controle são responsáveis pela gasolina a US$ 4 o galão.Em maio, Michael Masters, um administrador de fundo hedge, causou furor quando disse a um comitê do Senado que a especulação é a principal causa da alta dos preços do petróleo e outras commodities.

Ele apresentou gráficos mostrando o crescimento do mercado futuro de petróleo, no qual os investidores compram e vendem promessas de entregar petróleo em uma data posterior, e alegou que "o aumento na demanda por especuladores de índices" -seu termo para investidores institucionais que compram contratos futuros de commodities- "é quase igual ao aumento na demanda na China".Muitos economistas zombaram: Masters estava fazendo uma alegação bizarra de que apostar em um preço mais alto do petróleo -porque é isto o que significa comprar um contrato futuro- é equivalente a de fato queimar o produto.

Mas os membros do Congresso gostaram do que ouviram, e desde aquele depoimento grande parte do Capitólio adotou o discurso de culpar os especuladores.Um tanto surpreendente, os republicanos se mostraram no mínimo tão dispostos quanto os democratas em condenar os especuladores malvados. Mas a verdade é que a fé dos conservadores no livre mercado meio que evapora quando se trata de petróleo. Por exemplo, a "National Review" tem publicado artigos culpando os especuladores pelos altos preços do petróleo há anos, desde que o preço ultrapassou os US$ 50 o barril.E foi John McCain, e não Barack Obama, que disse recentemente isto: "Enquanto alguns poucos especuladores impulsivos contam seus lucros, a maioria dos americanos está na pior -usando uma fatia cada vez maior de seus salários obtidos com suor para comprar gasolina".

Por que os políticos estão tão ávidos em atribuir a culpa pelos preços do petróleo aos especuladores? Porque permite que acreditem que não precisamos nos adaptar a um mundo de gasolina cara.De fato, nesta última segunda-feira, Masters assegurou a um subcomitê da Câmara que um retorno aos dias do petróleo barato está mais ou menos ao alcance. Se o Congresso aprovasse uma legislação restringindo a especulação, ele disse, os preços da gasolina cairiam quase 50% em questão de semanas.

Ok, vamos falar sobre a realidade.A especulação está tendo um papel na alta dos preços do petróleo? Não está fora de questão. Os economistas estavam certos em zombar de Masters -a compra de contratos futuros não reduz diretamente a oferta de petróleo aos consumidores- mas sob certas circunstâncias, a especulação no mercado futuro de petróleo pode aumentar os preços indiretamente, encorajando os produtores e outros agentes a reter petróleo em vez de torná-lo disponível para uso.O que está acontecendo agora é tema de uma disputa altamente técnica. (Os leitores interessados no assunto podem ir ao meu blog, krugman.blogs.nytimes.com, e seguir os links.) Basta dizer que alguns economistas, eu incluso, damos importância ao fato de que os sinais habituais de boom especulativo de preço estarem ausentes.

Mas outros economistas argumentam que a ausência de evidência não é evidência sólida de ausência.E quanto aqueles que argumentam que a especulação excessiva é a única forma de explicar a velocidade com que os preços do petróleo aumentaram? Bem, eu tenho algo para eles: minério de ferro.O minério de ferro não é negociado em uma bolsa mundial; seu preço é estabelecido em acordos diretos entre os produtores e os consumidores. Então não há modo fácil de especular com os preços do minério de ferro. Mas o preço do minério de ferro, assim como o do petróleo, saltou ao longo do ano passado. Em particular, o preço que os produtores de aço chineses pagam para as minas australianas saltou 96%.Isto sugere que o aumento da demanda por parte das economias emergentes, e não a especulação, é a verdadeira história por trás da alta dos preços das commodities e matérias-primas, incluindo o petróleo.

De qualquer forma, uma coisa é clara: a agitação em torno da especulação no mercado do petróleo está nos distraindo das questões reais.Uma regulação mais rígida do mercado de futuros não é uma má idéia, mas não trará de volta os dias de petróleo barato. Nada irá. Os preços do petróleo flutuarão nos próximos anos -não seria uma surpresa uma pequena queda caso os consumidores passem a dirigir menos, comprem carros mais econômicos e assim por diante- mas a tendência a longo prazo certamente é de alta.

Grande parte do ajuste aos preços mais altos do petróleo virá por meio da iniciativa privada, mas o governo pode ajudar o setor privado de várias formas, colaborando com o desenvolvimento de tecnologias de energia alternativa e novos métodos de conservação, assim como ampliando a oferta de transporte público.Mas nós nem mesmo teremos o início de uma política racional de energia se continuarmos ouvindo pessoas que nos garantem que basta desejarmos que os preços altos do petróleo irão embora.

Em NYT - 27/06

terça-feira, 17 de junho de 2008

NA ÁSIA, EMPRESAS OLHAM ALÉM DA CHINA

Seria difícil de imaginar que apenas por uma demonstração de confiança no Vietnã alguém decidisse superar a iniciativa da Intel, no início de 2006, de investir US$ 350 milhões na construção de uma nova fábrica nessa economia emergente do Sudeste Asiático. Mas antes do fim do ano, a própria a fabricante americana de microprocessadores se superou, e aumentou seu investimento para US$ 1 bilhão. Em oito meses, a Intel injetou tanto dinheiro no Vietnã quanto havia investido na China nos dez anos anteriores.

Na região de Johor, na Malásia, a Flextronics, outra empresa mundial, inaugurou linhas de produção (um custo de US$ 110 milhões) para fabricar impressoras para computadores da Hewlett-Packard. Um dos maiores fabricantes de eletrônicos sob contrato, a Flextronics tem enormes instalações na China. Mas escolheu a Malásia para o novo investimento.

Mais a leste, na Indonésia, a Yue Yuen, um fabricante de sapatos com sede em Hong Kong , vem incrementando sua produção de roupas e calçados esportivos para marcas como Nike e Adidas. A produção também está aumentando nas fábricas da companhia na China e no Vietnã, mas é na Indonésia que o avanço é mais rápido.

Embora cada uma das três empresas tenha diferentes razões para suas decisões, o resultado final foi o mesmo: decidiram evitar a trovejante economia chinesa e instalar suas fábricas em outros países da Ásia. Essas companhias não estão sozinhas. No cálculo de custos, riscos, clientela e logística, um número crescente de empresas está chegando à conclusão de que a China não é, necessariamente, o melhor lugar para se produzir. Com sua aparentemente ilimitada oferta de mão-de-obra barata e rápida aquisição de extraordinária competência tecnológica, a China parece imbatível. Com efeito, a percepção é de que cada fábrica fechada nos EUA ou Europa está destinada a reabrir na China. Muitas o fizeram, contribuindo para que a participação das exportações da China, em comparação com as do mundo inteiro, triplicasse para 7,3% entre 1993 e 2005. Por outro lado, cada membro do grupo do G-7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) viu a sua participação diminuir.
Na produção industrial, a história é similar. Enquanto a China dobrou sua participação na produção mundial para quase 7% entre 1993 e 2003, a maior parte do G-8 viu sua participação cair.

Mas não é apenas a China que se revela aquecida como base de produção barata. A indústria de transformação e as exportações estão crescendo rapidamente em outras áreas da Ásia (veja gráficos). Em conjunto, Coréia do Sul, Taiwan, Índia e a Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean) ampliaram sua participação na indústria de mundial de menos de 7% para mais de 9% entre 1993 e 2003. As exportações também cresceram em todos os países. A China é o gigante emergente, mas os investimentos que estão sendo desviados da China oferecem ao restante da Ásia uma enorme oportunidade para tornarem-se, eles próprios, centros de irradiação de manufatura. A questão é se esses países conseguirão aproveitá-la.
Scott Brixen, um analista da CLSA Asia-Pacific Markets, um banco de investimentos sediado em Kong Hong , sugere duas explicações para o fato de a China não estar no topo da lista como sede para algumas novas fábricas: "custos crescentes e um desejo natural de diversificação por parte das empresas".

Até agora, a maior parte do desenvolvimento industrial na China aconteceu nas regiões costeiras orientais do país, especialmente em torno de Xangai e do delta do Rio da Pérola, próximo de Hong Kong. Mas os custos nesses centros estão crescendo substancialmente. Os aluguéis de escritórios estão em alta, os terrenos para indústrias são escassos e os custos de serviços públicos estão subindo. O mais relevante é a escalada salarial. Apesar da migração em massa de trabalhadores do vasto interior chinês para a costa, a remuneração de trabalhadores empregados em fábricas vem crescendo a taxas da ordem de dois dígitos há vários anos. Para os administradores de empresas, a situação é ainda pior.

"A China tornou-se vítima de seu próprio sucesso", avalia Peter Tan, presidente e diretor-gerente da Flextronics na Ásia. Ele sente particular dificuldade em contratar e conservar pessoal técnico, de diretores financeiros a gerentes, habilitados em técnicas de produção internacional, como "seis sigmas" e "manufatura enxuta". Não há operários qualificados o bastante para suprir a demanda, resultando em cooptação desenfreada de funcionários e inflação muito rápida nos salários.

Um estudo sobre remuneração dos asiáticos feita por Scott Brixen, analista da CLSA Asia-Pacific Markets, um banco de investimentos sediado em Hong Kong , mostra que os salários médios de um operário, somado a custos de seguridade social, chegaram a quase US$ 350 mensais em Xangai em 2005 e quase US$ 250 por mês em Xenzhen. Já em Manila, os salários mensais eram inferiores a US$ 200, de cerca de US$ 150 em Bancoc e pouco mais de US$ 100 em Batam, na Indonésia. Embora a produtividade dos trabalhadores chineses esteja crescendo, em muitos setores ela não acompanha o ritmo dos salários.

Uma solução, para as companhias, é transferir-se para o interior, onde muitos custos são muito inferiores que os da costa da China. De fato, o governo vem estimulando essa política desde 2000 para disseminar os benefícios do desenvolvimento no pobre interior da China. As companhias nacionais chinesas lideraram a migração para o interior, e um pequeno, mas crescente, número de empresas estrangeiras as seguiram.

A Intel é uma delas. Em 2004, a companhia decidiu investir US$ 525 milhões em uma nova fábrica em Chengdu, capital da província de Sichuan, para complementar suas fábricas existentes na costa em Xangai, a 1,6 mil km de distância. A empresa foi atraída por generosos incentivos concedidos pelo governo, segundo Brian Krzanich, diretor geral das operações de teste e montagem da Intel. É desnecessário dizer que, estando tão longe, no interior, sobem os custos de transporte para os exportadores. Mas Krzanich avalia haver compensações. A mão-de-obra e os serviços públicos são muito mais baratos do que no litoral.

Nem todo mundo, porém, está convencido disso. Na Flextronics, as fábricas de Tan na China estão todas localizadas em províncias costeiras orientais. "Não temos interesse em ir para o oeste", diz ele, porque é muito caro levar nossos produtos de lá para os EUA e a Europa. Outros observadores acrescentam que a escassez de talento gerencial no interior é ainda maior do que no litoral.

Os custos são apenas parte da equação. Igualmente importante é a diversificação. Tendo já transferido grande parte de sua produção para a China, muitas empresas estão relutantes em colocar mais ovos num mesmo cesto. Um relatório de pesquisa redigido no ano passado pela Organização de Comércio Exterior do Japão concluiu: "devido aos crescentes riscos para os negócios e o crescimento dos custos de mão-de-obra no país... as empresas japonesas que estão praticando uma estratégia 'China mais um'- pela qual elas investem na China e em um outro país (na Asean) - deveriam considerar dar maior ênfase ao país 'mais um'".

As companhias japonesas podem estar particularmente receosas, mas esse nervosismo é agora compartilhado por gerentes de outros países. Algumas das empresas estão preocupadas com a crescente agitação social na China, à medida que aumenta a desigualdade entre faixas da população rural do país, especialmente no oeste, e o leste, sede do maior progresso. Estatísticas oficiais registraram 87 mil manifestações nas ruas e turbulência social em 2005, muitas delas após a apropriação à força de terras em nome do desenvolvimento. O número real de protestos pode ser muito maior. Igualmente importantes são as preocupações quanto ao crescente protecionismo. OS EUA e a União Européia (UE) estão revelando-se mais assertivos ao cobrar da China o cumprimento de seus compromissos assumidos junto à Organização Mundial de Comércio (OMC). As companhias temem que isso possa resultar em súbitas interrupções do comércio.

Consideremos a Yue Yuen, maior fabricante mundial de sapatos sob contrato. São 180 milhões de calçados produzidos por ano na China, Vietnã e Indonésia, a maior parte destinada aos EUA e Europa. Assim, quando a UE impôs tarifas antidumping, em outubro de 2006, sobre calçados de couro importados da China e do Vietnã, a empresa rapidamente incrementou sua produção na Indonésia. "As relações comerciais com outros países e o cenário de tarifas e quotas são considerações vitais para definir onde investimos", diz Terry Ip, porta-voz da companhia.
As mesmas considerações aplicam-se aos níveis salariais. Cada calçado passa por 200 pares de mãos na linha de produção, e portanto, as operações da Yue Yuen são fortemente intensivas em mão-de-obra. Na China, a companhia está submetida a uma rápida inflação de salários, embora isso seja parcialmente compensado por melhorias de produtividade, implicando que o custo total unitário de mão-de-obra está crescendo 8% ao ano. A remuneração de operários em fábricas está crescendo também no Vietnã e na Indonésia, observa Ip, mas lá os custos são até 35% inferiores aos típicos na região costeira chinesa.

A China é sinônimo também de outros riscos, especialmente pela ausência de proteção a direitos de propriedade intelectual. São inúmeras as histórias de investidores estrangeiros que descobrem empresas locais produzindo artigos idênticos aos seus, mas sob uma marca diferente. Por essa razão, algumas companhias em setores como o de aparelhos médicos, em vez de estabelecerem-se na China, foram para Cingapura.

Freqüentemente esses produtos são intensivos em capital, de modo que os custos trabalhistas são menos importantes do que severas leis de propriedade intelectual. Diversas companhias químicas chegaram a construir instalações em Cingapura com a intenção de exportar a maior parte de seus produtos para a China. Insumos são mais facilmente disponíveis em Cingapura, mas igualmente importante é a confiança em que processos industriais não serão roubados.
Os administradores de empresas também se preocupam com a valorização da moeda chinesa. Embora ninguém espere saltos bruscos, o yuan parece, efetivamente, estar em trajetória firmemente ascendente, tendo subido outros 4% frente ao dólar desde que o governo pela primeira vez valorizou a moeda em 2,1% em julho de 2005. Os experts acreditam que o yuan continuará a subir, em torno de 5%, nos próximos 12 meses, o que em nada contribuirá para fortalecer a atratividade chinesa como base industrial exportadora. Evidentemente, custo e risco não são as únicas considerações ao decidir onde instalar uma fábrica. A qualidade da infra-estrutura de um país, a presença de fornecedores e o tamanho do mercado local - tudo conta. Por essas razões, a China continuará sendo um lugar atraente para investir.

Kumar Bhattacharyya, professor de processos de manufatura na Universidade de Warwick, Reino Unido, acredita que o atrativo do crescente mercado interno chinês preponderará sobre as diversas preocupações quanto a custos. "Por que as empresas vão para a Índia e China? A resposta padrão é: em busca de mão-de-obra barata; mas a maioria das grandes empresas de tecnologia vão para lá pelo mercado", diz.

Setores como o de têxteis e artigos do vestuário sempre buscarão lugares com mão-de-obra barata, pulando de país em país, à medida que os salários sobem. Mas no caso de atividades industriais complexas e intensivas em capital, os afluxos de investimento estrangeiro direto visam a um acesso a mercados locais, e não a baixos custos.

Na Ásia emergente, simplesmente não há mercados maiores do que a China, com seu 1,3 bilhão de pessoas. A riqueza das pessoas ainda é extremamente baixa, em comparação com os EUA e a Europa, mas nas grandes cidades está surgindo uma classe média vibrante. Com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano, a China oferece um enorme potencial. Meios de transporte e outras infra-estruturas, na China, estão também em melhor forma do que em muitos outros países asiáticos, e a qualidade e disponibilidade de fornecedores está melhorando, viabilizando o desenvolvimento de cadeias de suprimento extremamente integradas no país.

Mas outras regiões da Ásia também oferecem mercados consideráveis. A Índia tem 1,1 bilhão de pessoas, uma classe média emergente e deverá crescer cerca de 8% neste ano, embora o país seja bem mais pobre do que a China. Até hoje, o investimento estrangeiro na indústria de transformação tem sido limitado - o afluxo total de investimentos em 2005 foi de minguados US$ 7 bilhões, em comparação com mais de US$ 70 bilhões para a China (ver tabelas). Infra-estrutura inadequada é um dos principais obstáculos na Índia, bem como sua burocracia. Porém mesmo lá, mais companhias estrangeiras estão começando a abrir fábricas.

O setor de autopeças é um bom exemplo: a Toyota e a Hyundai investiram recentemente na Índia para aproveitar os quase 700 mil engenheiros e diplomados em ciências que o país forma por ano.

A maioria dos observadores estima que a evolução industrial indiana está dez anos atrasada em relação à China, mas é improvável que o estreitamento da defasagem seja tão rápido ou harmonioso. País que atribui um valor mais alto que a China à democracia e aos direitos dos indivíduos, a Índia terá, inevitavelmente, maior dificuldade para pôr em prática projetos de infra-estrutura e reformas em áreas delicadas, por exemplo, no rígido mercado de trabalho.
Com 560 milhões de pessoas, o bloco comercial da Asean também tem uma grande população. O Sudeste Asiático tem sido o principal beneficiário da decisão das companhias de diversificar fora da China. O problema é que os dez países da Asean ainda não constituíram um mercado comum. Embora a região ofereça muitas oportunidades para indústrias exportadoras, como mercado comum ele continua extremamente fragmentado. Os governos da região anunciaram planos ousados de criação da Comunidade Econômica da Asean até 2015, com fluxo livre de mercadorias, serviços e investimentos. Depois da assinatura de um acordo de livre comércio em 1992, as tarifas sobre a maioria dos bens comercializados na região caíram para menos de 5%
Muito mais difícil será implementar a eliminação de barreiras não tarifárias.

Poucos acreditam que a Comunidade Econômica da Asean será criada como esperam seus arquitetos. Países menos desenvolvidos, como Mianmar e o Laos, deverão integrar-se mais lentamente do que países como Cingapura e Malásia - se chegarem a se integrar. Mesmo assim há progressos, e a rápida ascensão da China e da Índia impõe urgência ao processo. Enquanto isso, os governos precisam também pensar em como levar seus setores de atividade industrial a agregar mais valor. Embora a Asean venha recebendo níveis recordes de investimento estrangeiro direto - US$ 37 bilhões em 2005 - grande parte da atividade industrial vindo para a região é de trabalho básico de montagem, intensivo em mão-de-obra, que agrega apenas pouco valor.

Para Roland Villinger, um sócio na firma de consultoria McKinsey em Bancoc, a região necessita incrementar a sofisticação de sua indústria de transformação. Ele concorda em que muitas fábricas na Asean fazem parte de uma estratégia "China mais um ou mais dois". Mas acredita que o Sudeste Asiático precisa ser mais do que apenas uma proteção contra riscos na China. E a Asean tem sua própria parcela de riscos. O novo governo militar da Tailândia parece estar fazendo tudo o que pode para desencorajar investimentos, por exemplo, impondo maiores restrições ao capital estrangeiro e controles monetários.

Mas há boas notícias. Cingapura tem uma força de trabalho com ótima formação acadêmica, embora sua população seja de apenas cerca de 4 milhões de habitantes. A Malásia teve algum sucesso na implantação de processos industriais de maior valor agregado. Em maio, por exemplo, a Intel inaugurou um novo centro de pesquisas em Kulim, empregando 900 pessoas. E na Tailândia, os esforços para transformar o país na "Detroit Oriental" estão começando a render dividendos.

Outros países na região, porém, ainda não fizeram suficiente progresso. Enquanto os investidores estrangeiros se afogam nos números de investimentos na China e buscam outros países, esse imobilismo não tem grande importância. Mas à medida que a Índia for resolvendo seus problemas e que o mercado chinês for crescendo mais, o Sudeste Asiático precisará integrar seus próprios mercados ou verá pouco a pouco dissipar-se sua nova popularidade entre as empresas industriais.

domingo, 15 de junho de 2008

INTERNACIONALIZAÇÃO DA GESTÃO BRASILEIRA

EQUIPE BRASILEIRA MANTÉM CONTROLE DE GIGANTE DA CERVEJA

A InBev orgulhosamente traça sua tradição até 1366, no que é hoje a Bélgica. Mas apesar de a cervejaria manter sua sede lá, a direção liderada por brasileiros é quem dá as cartas.

Esta inclui Carlos Brito, seu executivo-chefe. Ele assumiu a função em 2005, um ano depois que a InBev foi criada por uma fusão da Interbrew da Bélgica com a AmBev, o maior grupo cervejeiro da América Latina.Brito é central na oferta não-solicitada de US$ 46,3 bilhões pela Anheuser-Busch dos EUA, potencialmente um negócio transformador que daria à InBev cerca de um quarto do mercado mundial de cerveja. Brito entrou para a AmBev, sediada no Brasil, há quase 20 anos e subiu até o topo antes de passar para a InBev, para liderar as operações da empresa na América do Norte. O esforçado executivo de 48 anos projeta uma imagem informal: é conhecido apenas como "Brito". Mas isso esconde seu esforço para espremer os custos e aumentar a eficiência.

A InBev foi forjada por meio de uma série de aquisições no mundo todo, produzindo bilhões de euros em economias de custos. Brito, que tem um MBA de Stanford, revelou em um discurso na universidade americana este ano que os benefícios são raros na InBev, embora haja um sistema de compensações agressivo. "Dizemos que quanto mais enxuta a empresa mais dinheiro teremos para dividir no fim do ano", ele disse. "Eu não tenho escritório. Divido minha mesa com meus vice-presidentes. Sento-me com meu homem de marketing à esquerda, o de vendas à direita, o das finanças em frente."O principal oficial financeiro de Brito é Felipe Dutra, um brasileiro de 42 anos.
Sentados acima deles no conselho da InBev estão Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles, Roberto Thomson Motta e Carlos Sicupira, que foram trazidos pela GP Investimentos, uma companhia de sucesso que conseguiu participação em muitos grupos brasileiros.Os membros do conselho "são muito objetivos, simples e diretos em sua abordagem", diz um antigo executivo da AmBev. "Eles definem objetivos e não os modificam muito.




Mesmo que uma operação tenha alto custo, sua prioridade é ter o controle do que eles operam e hegemonia em qualquer mercado em que operem."Brito rejeitou a sugestão de que ele e seus colegas dominariam uma nova combinação InBev-Anheuser, dizendo que ela utilizará executivos talentosos de ambos os lados. Mas o histórico dos brasileiros sugere que é improvável que entrem em qualquer empreendimento no qual não detenham o controle operacional.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O REAL VALOR DAS MARCAS

Sugestão de blog muito bem bolado: http://www.brandtags.net/

Mostra, randomicamente, logotipos de empresas conhecidas e convida o internauta e escrever a primeira palavra ou frase que lhe vem à mente quando vê o tal símbolo.

Além disso, permite que o internauta veja os votos de outros usuários -- e, com isso torna-se uma incrível ferramenta para os marqueteiros de plantão "mediram" a imagem de suas marcas.


OBAMA ASSEGURA CANDIDATURA DEMOCRATA


Pré-candidato da oposição não deve representar grandes mudanças ao comércio com o Brasil, dizem especialistas

Após uma disputa de meses com a senadora americana Hillary Clinton, o também senador Barack Obama conseguiu nas últimas horas reunir o apoio de que precisava para tornar-se o candidato do Partido Democrata à Presidência da República dos Estados Unidos. Com o apoio declarado da maioria dos superdelegados, os membros do partido que definem quem encabeçará a chapa, Obama tem o apoio necessário dentro de seu partido para tornar-se o primeiro negro a concorrer ao cargo à frente de um dos dois grandes grupos políticos. Apesar da dianteira de Obama, sua adversária ainda não admitiu a derrota.

Caso vença a disputa contra o republicano John McCain, o candidato do presidente George W. Bush, Obama também entrará para a história como o primeiro filho de um imigrante (seu pai era queniano) a dirigir o país. O pioneirismo que marca a biografia do candidato, porém, dificilmente aparecerá na política de comércio dos americanos com outros países, na opinião de analistas ouvidos pelo Portal EXAME.

Eles apontam que apesar do discurso incisivo em favor do multilateralismo e da reconquista de confiança internacional na liderança americana, Obama não terá forças para se tornar o primeiro presidente em muitos anos a interferir em questões essenciais para uma parte significativa das empresas brasileiras, como a derrubada de barreiras tarifárias aos produtos agrícolas e o fim dos subsídios a produtores de commodities.

"Se eu fosse um homem de negócios no Brasil, eu não esperaria grandes mudanças. É possível que haja um esforço maior para a cooperação internacional, e o discurso dele vai claramente nesse sentido, mas eu ficaria mais atento ao que ele faz do que ao que ele fala", diz o professor Robert Lawrence, titular da cadeira de Práticas de Política Externa da Escola de Governo John F. Kennedy, ligada à Universidade Harvard.

Lawrence afirma que o futuro presidente dos Estados Unidos, independentemente de quem seja, enfrentará o desafio de equilibrar as pressões de dois focos distintos. De um lado, há a demanda crescente da comunidade internacional por mais abertura econômica, fortalecida pela própria visão de política externa do partido Democrata, segundo a qual os Estados Unidos precisam redefinir seu papel no mundo com base em mais diálogo e autoridade moral. No outro sentido, a crise financeira que desacelera o país alimenta a demanda de uma parcela cada vez maior da população por protecionismo e restrições à saída de capital. O professor lembra que numa pesquisa recente conduzida por uma revista, 60% dos americanos disseram considerar o livre comércio como prejudicial aos Estados Unidos – e a novidade é que dessa vez a insatisfação cresce entre os eleitores mais ricos e escolarizados, tradicionalmente favoráveis à derrubada de barreiras.

"É difícil saber qual das tendências vai predominar, mas mesmo que Obama negocie mudanças, elas precisarão ser aprovadas pelo Congresso, onde a resistência é muito maior. Os brasileiros deveriam se preocupar mais com os parlamentares, comprometidos com os eleitores, do que com o presidente, que precisa pensar mais nas conseqüências externas do que se decide no país", opina Lawrence.

O cenário propício ao que o analista de Harvard chama de "forma americana de populismo" também é o mais provável na opinião do professor de Política e Ética da Universidade de Campinas, Roberto Romano. Ele acredita que o lobby por protecionismo terá um campo fértil no governo do democrata, uma vez que a própria linha política do candidato não parece tão definida quanto a dos demais.

"Obama terá a oportunidade de transformar a política interna dos Estados Unidos, mas se ele vai fazer ou não ninguém sabe", ele diz.

Etanol em segundo plano

Além da necessidade de conquistar a simpatia de eleitores e empresários, o próximo presidente americano chegará ao cargo num cenário bastante desfavorável a mudanças que num primeiro momento tragam prejuízos à balança comercial do país, segundo os especialistas. Os Estados Unidos de hoje começam a sofrer tanto com a recessão quanto com a inflação e registram grandes déficits em conta corrente, que os obrigam a tomar empréstimos de países superavitários, como a China e os exportadores de petróleo do Oriente Médio. Também pesa a escalada de preço do óleo cru para acima de 130 dólares por barril, que amplia o desequilíbrio entre gastos e ganhos no comércio.

Em meio à crise, mesmo questões como aquecimento global e busca de fontes alternativas de energia, que poderiam favorecer uma iniciativa de abertura ao etanol brasileiro, tendem a ficar em segundo plano, quando entra o jogo o temor dos americanos de perderem seus empregos.
"Não se trata da relação dos Estados Unidos com o Brasil, mas o contrário. O Brasil é que quer que o etanol esteja na pauta das exportações, e não o contrário", aponta o ex-embaixador do Brasil em Washington e atual presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Rubens Barbosa.

O professor de Harvard Robert Lawrence reforça a improbabilidade de o etanol entrar na pauta americana de importações. "Se a preocupação principal dos americanos de fato fosse com o aquecimento global ou a escassez de alimentos, já estariam importando etanol do Brasil, mas continuam com o etanol de milho", diz.

A definição do presidente americano deve ocorrer apenas em novembro e o candidato assumirá o cargo em janeiro de 2009.

Em Exame, por Ana Greghi e Peri de Castro

quinta-feira, 15 de maio de 2008

EU GOSTO TAMBÉM - ALL FOR 1

A Essência das corridas – A Fórmula 1 é mais do que um esporte. É uma atitude. Um desejo comum de alcançar o topo. À nossa frente se estendem milhares de quilômetros nos circuitos. Dezoito grandes prêmios nos esperam para provarmos nosso desejo de vencer. E é este o objetivo que almejamos: elevar nossos sucessos anteriores e fazer de 2008 o ano de nossa primeira vitória. É esse o desafio que ousamos enfrentar. Esta é a meta que seguimos. Em cada segundo. Em cada pensamento de cada membro da nossa equipe. Todos por um.”

quarta-feira, 14 de maio de 2008

AS INDUSTRIAS FLUTUANTES CHINESAS

O governo Lula lançou sua segunda política industrial, com desoneração e incentivos fiscais da ordem de R$ 21,4 bilhões até 2011. Um dos principais objetivos será modernizar as empresas brasileiras, medida mais do que necessária num período de competição quase selvagem pelos mercados mundiais. Vejam o que a China, de longe o mais agressivo de todos os competidores, está fazendo no setor de bens de capital. Montaram indústrias flutuantes, isso mesmo, flutuantes, dentro de navios, na busca de reduzir o prazo de entrega de máquinas e equipamentos mundo afora.

O governo chinês embarca em navios peças e mão-de-obra especializada, que vai montando máquinas ao longo da viagem marítima. Como algumas partes desses maquinários são importadas, em vez de ficar aguardando a chegada da peça na China, o navio vai ancorando nos portos em que ela está disponível durante a viagem até o destino final: o país do comprador do bem de capital. Com esse modelo de indústria, a China consegue entregar em quatro a seis meses uma máquina que outros países demoram cerca de um ano para fazer chegar às mãos do seu cliente. Não por outro motivo a China hoje é um grande competidor internacional no setor de máquinas e equipamentos. Lidera, por exemplo, a produção de guindastes para portos, já considerados um dos mais avançados do mundo.

O fato é que entender a China e suas estratégias passou a ser vital para competir no mundo atual. De um país antes conhecido por fabricar produtos baratos e ruins, hoje busca avançar no mercado internacional desenvolvendo produtos de alta tecnologia, ainda a preços bem mais competitivos do que seus parceiros internacionais. Resultado de um país que cresceu de 1979 a 2006 a uma taxa média de 9,6% ao ano. Que hoje, diante da escassez de energia provocada pelo salto econômico, procura transferir indústrias de consumo energético intensivo para outros países, como o Brasil.

Na busca de compreender esse ator global, a Fundação Dom Cabral decidiu pesquisar as empresas chinesas e sua atuação no Brasil. A primeira etapa do estudo resultou na montagem de um ranking com as 200 maiores companhias da China, intitulado "Os futuros donos do poder: Top 200 Chinese Dragons". Desse grupo, pelo menos dez já estão atuando no Brasil, inclusive aquela que é considerada hoje a maior empresa chinesa: Sinopec, uma companhia petroleira (veja relação abaixo).

Responsável pelo estudo, o professor Carlos Arruda diz que as cinco maiores empresas chinesas listadas no ranking apresentam um faturamento superior a US$ 500 bilhões. Além da Sinopec, as outras quatro são: China National Petroleum Corporation, State Grid Corporation of China(SGCC), Petrochina Company Ltd. e Industrial and Commercial Bank of China. Segundo Arruda, boa parte dos 200 dragões chineses tem sua origem em "decisões de organismos, agências ou instituições ligadas ao governo central". Muitas delas, porém, são tidas como empresas privadas de capital aberto, com ações disponíveis nas bolsas de Hong Kong e Nova York. O que torna muito complexo a definição do que é realmente público e privado no gigante asiático.

Em sua pesquisa, Carlos Arruda afirma ter notado que as empresas chinesas hoje buscam associar o baixo custo com a inovação tecnológica. Diz ele no estudo que, atualmente, "mais do que a capacidade de produção a baixo custo", as empresas do ranking procuram se destacar "se associando com parceiros tecnológicos de todo o mundo". O professor cita o caso da Haier, uma das maiores produtoras de refrigerantes da China, que se tornou líder mundial na fabricação de adegas climatizadas. A empresa, em associação com a Walmart (Sam's Club), "desenvolveu produtos 50% mais baratos do que os concorrentes, com tecnologias muito mais avançadas".

Segundo Arruda, em pouco tempo a Haier conquistou 60% do mercado americano.
Dessas empresas chinesas que buscam incorporar alta tecnologia a seus produtos, o professor Carlos Arruda menciona também a Huawei, já presente no Brasil no setor de telecomunicações. A empresa chinesa se associou à Telefônica (Vivo) para desenvolver e lançar a família de telefones celulares de terceira geração. O pesquisador da Fundação Dom Cabral destaca que hoje na China é possível encontrar universidades montadas por empresas para formação de mão-de-obra especializada em tecnologia avançada. O segundo passo da Dom Cabral será analisar a atuação no Brasil das empresas chinesas. Entre as 200 maiores companhias chinesas, as dez que já estão no Brasil são:

Air China (transporte/logística)
Bank of China (setor financeiro)
Baosteel (siderurgia e metalurgia)
China Metais e Minerais - Minmetals (siderurgia e metalurgia)
China Shipping do Brasil (transporte/logística)
Cosco Brasil S/A (transporte/logística)
Gree Electric Appliances Inc. (eletroeletrônico)
Sinopec (petróleo e gás)
ZTE (telecomunicações)
Huawei (telecomunicações)

Por Valdo Cruz em FSP

FORTUNE US 500

domingo, 11 de maio de 2008

OBAMA E McCAIN JÁ PREPARAM ESTRATÉGIAS AGRESSIVAS DE CAMPANHA

Os senadores John McCain, republicano do Arizona, e Barack Obama, democrata de Illinois, estão elaborando estratégias para derrotar um ao outro nas eleições gerais, concentrando seus esforços nos mesmos grupos - incluindo os eleitores independentes e os latinos - e em cerca de uma dezena de Estados que acreditam decidirão a disputa neste outono, disseram os assessores das campanhas. Mesmo antes de Obama ter sido nomeado candidato pelo partido democrata, ele e McCain, presumido candidato republicano, já começaram a reunir suas equipes nos principais campos de batalha, desenvolvendo propagandas negativas que envolvem seriamente o adversário e levantando uma mistura explosiva de temas, que inclui idade e patriotismo.

McCain, do Arizona, passará a próxima semana fazendo uma série de discursos sobre o aquecimento global, o que evidencia sua intenção de combater Obama na disputa pelos votos dos independentes, um grupo que ambos estão reivindicando para si.Claramente preocupado com questões como a associação com seu ex-pastor, que prejudicou seu status entre os independentes, é provável que Obama embarque numa turnê de verão com a intenção de divulgar sua história de vida, que já foi ponto fundamental de seu apelo eleitoral. Os planos iniciais incluem uma parada no Havaí, sua terra natal, e um grande discurso no Cemitério Punchbowl, onde está enterrado seu avô materno, que lutou na Segunda Guerra Mundial.
A campanha de Obama está usando seu poder de fogo para registrar mais eleitores e enviando cabos eleitorais para Pensilvânia e Ohio, Estados onde ele perdeu nas primárias, mas onde seus assessores dizem que ele precisa ganhar para chegar à Casa Branca.Os conselheiros de McCain dizem que perceberam a dificuldade de Obama com os votos da classe trabalhadora nesses Estados, e por sua vez irão abrir comitês eleitorais em ambos os Estados no começo de junho.Além disso, assessores dos dois candidatos dizem que os eleitores hispânicos serão fundamentais para a vitória nos Estados do sudoeste que agora são vistos como principal campo de batalha, incluindo o Colorado, Nevada e Novo México.A decisão de McCain e Obama de se anteciparem ao que acontecerá no outono reflete a conclusão de ambos de que a desistência da senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York, da disputa pela nomeação democrata é apenas uma questão de tempo.

McCain está priorizando os Estados onde o presidente Bush quase perdeu em 2004 e onde Obama perdeu as primárias, a começar por New Hampshire e a Pensilvânia. Obama, por sua vez, está se concentrando nos Estados onde ele ganhou os caucus e as primárias - como a Virgínia, que foi uma base sólida para os republicanos durante as últimas eleições presidenciais - assim como em outros onde ele tem comitês. Ambos os lados já produziram propagandas de TV que irão ao ar assim que a disputa democrata for oficialmente concluída. Essas propagandas estão mais voltadas para minar os oponentes do que para promover os próprios candidatos.O Comitê Nacional Republicano está planejando uma campanha publicitária de US$ 19,5 milhões para retratar Obama, 46, como alguém fora de contato com o país e inexperiente demais para assumir a presidência, buscando colocá-lo na defensiva antes que ele possa usar sua vantagem financeira contra McCain, 71, dizem autoridades do partido."Em 1984, Ronald Reagan disse: 'Não vou explorar a inexperiência e juventude de meus oponentes por razões políticas'", diz Frank Donatelli, deputado presidente do Comitê Nacional Republicano. "Bem, nós vamos explorar a juventude e inexperiência de Obama."Do lado democrata, os assessores de Obama essa semana darão os toques finais às propagandas eleitorais destinadas a ligar McCain ao presidente Bush e a reduzir a imagem de rebelde do candidato, que os assessores descobriram ainda é forte entre os eleitores.

"Até novembro, todos os eleitores irão saber que McCain estará oferecendo a Bush um terceiro mandato", diz David Plouffe, gerente da campanha de Obama. Os conselheiros de Obama disseram que sua pesquisa sugere que McCain, apesar de sua alta posição na política americana durante décadas, não era muito conhecido por muitos eleitores. Em particular, os assessores de Obama disseram que vão enfatizar a oposição de McCain ao direito de aborto para evitar que as mulheres ressentidas que apoiaram Clinton nas primárias passem para o lado de McCain, já que os assessores deste último disseram que irão cortejar agressivamente o voto delas.

As estratégias refletem uma lição da campanha presidencial de 2004, quando os principais assessores de Bush, alguns dos quais estão trabalhando para McCain hoje, começaram uma campanha de TV bem financiada para definir a imagem e derrubar o senador John Kerry, democrata de Massachussetts, no momento em que sua candidatura foi nomeada pelo partido.Os conselheiros de Obama disseram estar cientes de que ele ainda não venceu a nomeação e que ainda restam seis outras disputas pela frente. Ainda assim, disseram que é crucial começar a atacar McCain o quanto antes.Os eleitores independentes têm sido fundamentais na decisão das eleições presidenciais conforme o país foi se polarizando entre as linhas partidárias.O que torna essa eleição diferente é o tanto que Obama e McCain se dedicaram aos eleitores independentes para apoiá-los durante suas carreiras.

Historicamente, os eleitores independentes têm assuntos e preocupações específicas, em particular uma ênfase na reforma do governo e uma aversão às brigas partidárias amargas.Dessa forma, os conselheiros de McCain dizem que irão apresentá-lo como um senador que com freqüência busca o diálogo da oposição, enquanto mostrarão Obama como um democrata que vota apenas com o seu partido e que ideologicamente está fora de contato com a maior parte do país. "Acreditamos que os Estados Unidos ainda são um país levemente de centro-direita, assim como McCain", disse Charlie Black, conselheiro sênior de McCain. "Se você olhar para a base e para o histórico de Obama, ele é um liberal bastante convencional."

Os conselheiros de Obama, por sua vez, pretendem apresentar McCain como um produto de Washington que se aproximou do governo Bush para vencer a nomeação republicana.Os eleitores hispânicos poderão receber mais atenção dos candidatos presidenciais do que nunca. Seus votos serão fundamentais para determinar se os democratas conseguirão capturar Estados como o Colorado, Nevada e o Novo México ou se os republicanos terão alguma chance de serem competitivos na Califórnia.A ligação de McCain com a elaboração de uma lei que teria permitido que alguns imigrantes ilegais obtivessem a cidadania - posição da qual ele abdicou durante as primárias, mas que nunca negou - lhe dá a oportunidade de competir pelo voto desses eleitores, que exceto pelos cubanos da Flórida, parecem ter se estabelecido em massa no campo democrata nos últimos anos.

Obama também apoiou medidas que permitiram aos imigrantes obter cidadania, mas teve dificuldades para ganhar o voto dos hispânicos durante as primárias, o que assinala um problema em potencial para ele na campanha do outono.Os assessores de Obama disseram que o apoio do governador Bill Richardson, do Novo México, um dos líderes hispânicos mais importantes do país, pode se mostrar mais decisivo na eleição geral do que nas primárias.Ambos os lados dizem que os Estados que estão claramente em jogo são Colorado, Flórida, Iowa, Michigan, Minnesota, New Hampshire, Novo México, Nevada, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Virgínia, Washington e Wisconsin.Os republicanos disseram que esperam colocar Nova Jersey e talvez a Califórnia na disputa; os democratas disseram que os negros podem tornar Obama competitivo na Geórgia, Carolina do Norte e Carolina do Sul.Os conselheiros de Obama disseram que teriam grandes chances de tirar o Colorado, Iowa, Nevada, Novo México, Ohio e Virgínia das mãos dos republicanos.Obama tem uma vantagem financeira clara. Em 31 de março, McCain havia levantado cerca de US$ 80 milhões e declarou cerca de US$ 11 milhões de dinheiro em mãos. Obama havia levantado três vezes mais - cerca de US$ 240 milhões - e tinha mais de quatro vezes a quantia de McCain em banco.Mas o Comitê Nacional Republicano, que pode gastar dinheiro em nome de McCain, levantou US$ 31 milhões, em comparação com os apenas US$ 6 milhões levantados pelo Comitê Nacional Democrata, e as autoridades republicanas dizem que não estão preocupadas em ficar sem dinheiro até as convenções.Os conselheiros de Obama disseram que como resultado dos cinco meses de caucus e primárias, o candidato tinha praticamente o aparato de uma campanha nacional montado e já havia identificado e registrado milhares de novos eleitores.

Dito isso, eles reconheceram que estão em desvantagem em dois Estados importantes - Flórida e Michigan - porque esses Estados fizeram primárias mais cedo, desafiando o Comitê Nacional Democrata, e os candidatos concordaram em não fazer campanha lá."No que diz respeito à organização, já construímos uma estrutura bem forte em todos os Estados exceto Michigan e Flórida", disse Plouffe. "Esta é uma enorme linha prateada que mostra a extensão a que a disputa pela nomeação nos levou." Os republicanos procurarão retratar Obama como um candidato fora de contato com muitos eleitores em temas como o aborto e os direitos homossexuais. Alguns dos conselheiros de McCain dizem que eles também acham que Obama demonstrou vários pontos vulneráveis como candidato que eles procurarão explorar: eles argumentam que ele tem uma tendência a ficar irritado quando fica cansado ou pressionado por perguntas difíceis, que ele tem problemas em se conectar com eleitores fora dos grandes comícios, e que ele tem feito uma campanha sem muito conteúdo.

Aos olhos da campanha de Obama, a principal fraqueza de McCain é a continuidade ao apoio à guerra do Iraque, seu apoio à prorrogação dos cortes de taxas feitos pelo governo em relação aos americanos mais ricos (idéia à qual ele já se opôs) e sua sugestão de que a economia fez um "grande progresso" nos últimos oito anos.Obama disse que não tem intenção de tornar a idade - McCain é 25 anos mais velho - um assunto aberto na campanha eleitoral geral. Mesmo assim, nas últimas semanas, a campanha de Obama afirmou o contrário ao mostrar o candidato em lugares - quadra de basquete, e cercado por sua jovem família - que poderiam ser interpretados como uma mensagem telegráfica que não aborda o assunto explicitamente.

Por Adam Nagourney e Jeff Zeleny em NYT

terça-feira, 6 de maio de 2008

THE WAY AHEAD FOR BRAZIL


Estudo sobre as perspectivas econômicas para Brasil, Rússia, Índia e China (BRICs) até 2050, ressaltando as principais transformações da economia brasileira no período recente, em particular na sua dimensão econômica, para situar o Brasil nesta discussão a respeito dos potenciais e deficiências dos BRICs, além de lançar um pouco de luz sobre os desdobramentos futuros esperados para as principais variáveis econômicas brasileiras.
De: PWC

CRESCIMENTO DOS BRICS JÁ ATRAI INVESTIDORES DE TODO O MUNDO

Foi em novembro de 2001 que Jim O'Neill, um economista do Goldman Sachs, cunhou o termo atualmente usado para descrever o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, países emergentes de rápido crescimento, no artigo econômico "Buiding Better Global Economic Brics" (algo como "Construindo Melhores Tijolos Econômicos Globais". Na criação do termo "Brics", o autor jogou com o homófono "bricks", ou tijolos). Ele argumentou que, até o final da década, estas quatro economias poderiam representar mais de 10% do produto global bruto.

Em apenas seis anos, o banco de investimento reformulou drasticamente aquela previsão. Em novembro passado ele previu que a economia chinesa ultrapassaria a dos Estados Unidos por volta de 2027, que a Índia alcançaria a economia norte-americana até 2050 e que as quatro nações, como um grupo, superariam o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) em 2032. Assim, apesar de todo o recente debate a respeito da "desconexão" entre os mercados Bric e o Ocidente e a subseqüente "reconexão" durante a retração de crédito, estas são oportunidades de crescimento de capital de longo prazo que os gerentes financeiros - e os seus clientes - não podem ignorar.

A história do crescimento dos Brics já está circulando por todo o mundo. No ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) calculou que os Brics e os mercados emergentes que eles estão ajudando a alimentar respondiam por 30% da economia global, e por 47% de todo o crescimento mundial - sendo a China o maior contribuidor, com o Brasil, a Rússia e a Índia não muito atrás.Mas não são só as commodities e a produção industrial de baixo custo que estão impulsionando este crescimento. Segundo a Reuters, é na Índia e nas economias asiáticas emergentes que está instalado quase 26% do mercado global de serviços de tecnologia da informação, e esta percentagem está aumentando em um ritmo anual mais rápido do que os dos serviços de tecnologia da informação nos mercados desenvolvidos. Esse crescimento é alimentado tanto pela demanda internacional quanto pela doméstica. As economias Bric ajudaram a expandir a fatia das exportações globais referente aos mercados emergentes de 20% em 1970 para 42% em 2006, de acordo com a revista "Professional Wealth Management".

Ao mesmo tempo, os fluxos de capital para os Brics e os mercados emergentes atingiram níveis recordes, e o Instituto de Finanças Internacionais anunciou que os investimentos estrangeiros diretos nestes países saltou de US$ 167,4 bilhões em 2006 para US$ 255,6 bilhões em 2007, em uma expansão de mais de 50%.Na verdade, desde que o termo Brics surgiu pela primeira vez no léxico do setor de wealth management (administração de patrimônio e riqueza), os fluxos de investimentos têm alimentado os mercados de ações desses países emergentes.

De novembro de 2001 e novembro de 2007, o mercado de ações do Brasil cresceu 369%, o da Índia 499%, o da Rússia 630% e o da China 201%, caso se use como parâmetro o mercado de "A-shares", ou 817% pelo Hang Seng China Enterprise Index. Com mercados de ações tão robustos, não é de se surpreender que os países Bric tenham respondido por 39% das ofertas públicas iniciais (IPOs) mundiais no ano passado, o que representa um aumento de 32% em relação a 2006. Assim, para os investidores privados, a maneira mais óbvia de obter exposição a esses mercados é por meio dos fundos de ações ativamente administrados.Michael Konstatinov, gerente de fundos da empresa alemã de seguros e serviços financeiros Allianz, afirma que os países do Bric estão exibindo sinais de desaceleração em 2008.

Ele argumenta que esses países continuarão sendo cruciais para o crescimento econômico global, com o Brasil alcançando o mais intenso crescimento econômico e a maior expansão das exportações, a Rússia compensando os menores fluxos de capitais com os elevados preços do petróleo, a Índia alavancada pelo maior consumo interno e a China mantendo índices de crescimento do produto interno bruto acima de 10%, graças aos preços flutuantes das suas commodities domésticas e os custos baratos de frete."Acredita-se que o Brasil terá melhor desempenho do que a China em 2008", afirma Konstantinov. "Acreditamos que isto deverá apoiar os preços dos ativos e especialmente o mercado de ações no Brasil, tornando o país menos vulnerável ao que ocorrer na economia global no ano que vem".

Mas alguns wealth managers, ou administradores de investimentos e riqueza, questionam o momento da entrada dos gerentes de retail funds nos Brics. Graeme Currie, do Alan Steel Asset Management, diz: "A questão agora é saber qual é o vigor que estes países ainda possuem. Será que as taxas de expansão sem precedentes são sustentáveis? A indústria de serviços financeiros possui um histórico notável no que se refere a alçar os fundos de nichos rumo ao extremo superior da parábola - pensem no setor de tecnologia, de fundos de saúde e de propriedade comercial". Currie ainda concorda que os gerentes de retail funds mais experientes devam escolher bem as ações e capitalizar novos crescimentos desses países. Atualmente, porém, os bancos privados estão sugerindo formas de se obter uma exposição mais no estilo institucional e com gerenciamento de capital de risco.

A UBS utiliza imóveis, private equity e produtos estruturados vinculados a commodities e moedas para proporcionar aos seus clientes a exposição aos Brics. "Sabemos para onde o navio está navegando, só que a rota pode ser meio tempestuosa", explica Gavin Rankin, diretor de consultoria de produtos e serviços da UBS Wealth Management no Reino Unido. "Portanto, usamos uma perspectiva de longo prazo e pensamos em diferentes classes de ativos".Os investimentos em imóveis são feitos por meio de um fundo especializado que diversifica a exposição em um conjunto de gerenciadores de fundos. Este fundo pode fazer investimentos oportunistas na construção de propriedades residenciais e comerciais, nas áreas dos países Bric que se beneficiam da expansão da atividade econômica e da classe média.

A exposição às equities privadas pode ser proporcionada em vários setores, do capital de risco ao capital de crescimento, das compras de direitos às companhias em apuros. Mas é no capital de crescimento que a UBS enxerga mais oportunidades - a empresa fechou no ano passado um fundo global que investia em "companhias que tentavam chegar ao próximo estágio" e conta com uma alocação de recursos de 25% na Índia. "Isto é outra coisa que os clientes adoram", afirma Rankin. "É algo que tem um horizonte de longo prazo, e que se baseia em um tema de longo prazo de fato atraente: a emergência de gigantes".Recursos cambiais e de commodities são investidos por meio de produtos estruturados a fim de garantir proteção de capital. Esses investimentos oferecem uma oportunidade baseada nas moedas dos Bric, que estão se fortalecendo em relação ao dólar. Os preços dos produtos agrícolas também estão fortes, algo que está vinculado à tendência dos países Bric de adotar dietas mais ocidentais. "Os clientes estão investindo em diversos produtos estruturados baseados em índices de alimentos", explica Rankin. "O interesse inicial foi dos clientes que enxergaram nisto um tema de investimento - talvez eles tivessem sido expostos a tal setor nos seus próprios negócios.

Mas esta prática está também embasada em pesquisas sólidas". Os clientes da UBS podem até contar com a oportunidade de investir em um fundo destinado à compra de terras para atividade agropecuária na América Latina, investir na estrutura produtiva da propriedade e sair após sete anos por meio de venda ou ofertas públicas iniciais. "Nós usamos alguns fundos de ações", admite Rankin. "Mas é possível se expor a alguma volatilidade de curto prazo. Assim, a maioria dos clientes expõe-se aos mercados emergentes por meio de produtos estruturados. Eles apreciam a idéia, mas não estão preparados para perder tudo neste setor".

O Barclays Wealth também adota uma abordagem mais institucional ao oferecer aos seus clientes oportunidades na América Latina, na Índia, na China e na Europa Oriental. Ele usa somente fundos de longo prazo cuja exposição está alinhada com o mercado, juntamente com investimentos de longo prazo em private equities, imóveis e infra-estrutura.Barbara-Ann King, diretora de produtos alternativos do Barclays Wealth, explica: "Muitas vezes os clientes não são capazes de obter acesso a essas oportunidades por conta própria, e é preciso que os seus investimentos sejam profissionalmente gerenciados. O acesso a tais produtos de qualidade institucional é proporcionado aos clientes privados via 'feeder funds' com níveis de entrada mais baixos".No momento, o Baclays Wealth está de olho especialmente nos setores de infra-estrutura e de imóveis na Índia, e nos de agricultura e infra-estrutura na América Latina.

A instituição também acredita que as cidades adjacentes na China parecem ser viáveis para investimentos no setor imobiliário e de infra-estrutura, e está monitorando as oportunidades."Os produtos serão fornecidos em grande parte por uma estrutura clássica de private equity com investimento de dez anos", afirma King. O Credit Suisse sugere uma abordagem de menor custo. "Uma das maneiras mais fáceis e baratas, mas igualmente efetiva, de fazer tal coisa é por meio dos exchange traded funds (ETFs, ou fundos de investimento em índice com cotas negociadas em bolsa ou mercado de balcão organizado)", argumenta Paul Sarosy, diretor de administração e de soluções de investimentos do banco.

Ele observa que atualmente os investidores podem comprar imediatamente um ETF ou criar as suas próprias carteiras Bric de acompanhamento dos índices de países individuais."Essas são algumas oportunidades de longo prazo extremamente empolgantes, de forma que estamos tentando fornecer soluções de investimentos a todos os investidores", diz Nick Shellard, diretor de desenvolvimento de negócios do iShares no Reino Unido e na Suíça.O que o FTSE Bric 50 do iShares é capaz de fazer é acrescentar diversificação a qualquer carteira de investimento, evitando riscos de ações específicas, e permitindo aos investidores alocar os seus orçamentos de risco em outros mercados nos quais acreditem que sejam capazes de alcançar um 'retorno alfa'. Isto é algo que pode ser usado pelo maior fundo de pensões, por fundos de hedge de dinheiro rápido ou por investidores individuais".

O iShares também fornece ETFs individuais referentes ao Brasil e à China, e mais um fundo recém-lançado que acompanha o JPMorgan Emerging Market Bond Index. No entanto, para obter uma exposição diversificada em todas as classes de investimentos dos Brics, os investidores ainda precisam recorrer a uma firma de wealth management."O objetivo do wealth manager é, acima de tudo, proteger o investimento do cliente", afirma Sarosy. "Com a nossa estrutura aberta, podemos encontrar oportunidades que não estão disponíveis para os investidores individuais 'afluentes'".

Por Matthew Vincent no FT