quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
A PERCEPÇÃO COMO FATOR-CHAVE NA COTAÇÃO DO PETRÓLEO
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA: AS RAZÕES DA CRISE
Em primeiro lugar, a indústria automobilística apresenta uma extrema sensibilidade às variações de consumo. Não há nada mais fácil para as famílias ou as empresas do que postergarem em seis meses, e até mais, a compra de um veículo, uma vez que se trata de uma aquisição pesada para todo e qualquer orçamento. Além disso, a indústria automobilística vem sendo atingida em cheio pela crise do crédito. Nos países desenvolvidos, os três quartos dos carros são comprados a crédito. Quando o acesso a este último torna-se mais difícil, o impacto sobre as vendas é imediato.
A terceira razão diz respeito à organização do setor, no qual todas as atividades são concatenadas e interdependentes. Basta que os consumidores compareçam em menor número nos centros de vendas das concessionárias para que as usinas sejam obrigadas a reduzirem suas cadências de produção, e até mesmo a fecharem parcialmente. Além disso, a estocagem de veículos produzidos, mas que não foram vendidos, revela ser muito mais custosa do que a colocação em regime de desemprego parcial de uma parte dos assalariados.
Uma vez definido este contexto, a situação da indústria automobilística nos Estados Unidos e na Europa tem de fato poucas coisas em comum. Com efeito, nos Estados Unidos, esses problemas conjunturais vêm se somar a uma pesada crise estrutural.
Assim, é evidente que os atuais problemas das montadoras americanas já estavam amplamente configurados, muito antes da crise dos "subprimes" (créditos hipotecários de taxas variáveis). Em primeiro lugar, há muitos anos que os erros estratégicos manifestos das montadoras vêm produzindo seus efeitos: no decorrer dos anos 1980, a General Motors (GM), a Ford e a Chrysler se precipitaram para tirar proveito do lucrativo mercado das vans 4X4, deixando amplas avenidas para os japoneses no segmento dos carros pequenos. Agora que, por conta da disparada dos preços da gasolina, os consumidores americanos não querem mais comprar as 4X4, as "Big Three" (as Três Grandes) se encontram presas numa armadilha, uma vez que elas nunca conseguirão recuperar o terreno que elas perderam nos últimos 15 anos.
Além do mais, a sua administração revelou ser deficiente. Apesar de amargar perdas no valor de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 116 bilhões) e uma redução drástica das suas partes de mercado, nunca o conselho de administração da GM chegou a questionar as decisões estratégicas do seu CEO, Rick Wagoner. Enquanto isso, na Ford, as hesitações tiveram um preço alto, a ser pago à vista. Bill Ford, o herdeiro da família não era o homem certo para enfrentar a situação e foi obrigado a ceder seu lugar depois de alguns meses para Allan Mulally. A Chrysler, por sua vez, vem pagando pelas conseqüências dramáticas da sua fusão fracassada com a montadora alemã Daimler.
Por fim, há muitos anos que a GM, a Ford e a Chrysler vêm padecendo de uma estrutura de custos não adaptada às novas realidades. Obrigadas a assumirem as aposentadorias e as despesas com saúde dos seus assalariados, as montadoras americanas se vêem forçadas a arcar com um custo adicional médio por carro de US$ 1.400 (cerca de R$ 3.220) em relação às suas principais concorrentes japonesas. Um acordo com os sindicatos ainda chegou a ser firmado no ano passado, o que fez com que elas pudessem se livrar destes encargos, mas, a novidade sem dúvida aconteceu tarde demais: os seus efeitos só começarão a ser sentidos a partir de 2010. Daqui até lá, as Big Three terão todo o tempo do mundo para morrerem dez vezes.
Em meio a este contexto, a crise atual nada mais é do que o catalisador de uma multidão de problemas, que, caso eles tivessem sido enfrentados em tempo hábil não teriam conduzido as Big Three à beira da falência.
Em Le Monde, 20/11
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
CENÁRIOS PARA OS BIOCOMBUSTÍVEIS
domingo, 21 de setembro de 2008
INTERBRAND BEST GLOBAL BRANDS 2008
Vale a pena analisar os resultados e fazer o download gratuíto do estudo completo.
Os resultados também são publicados e analisados pela Business Week.
O BRASIL PROCURA FORMAS DE FAZER O MELHOR USO POSSÍVEL DO SEU NOVO STATUS DE GRANDE POTÊNCIA PETROLÍFERA
O entusiasmo do presidente Lula não parece ser exagerado. Um tesouro energético, situado a cerca de 250 quilômetros ao largo dos Estados de Santa Catarina, São Paulo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo aguarda para ser explorado. Esses campos petrolíferos estendem-se ao longo uma faixa de 800 quilômetros de comprimento, e de 200 quilômetros de largura. O "ouro negro" que eles contêm está enterrado numa profundidade que varia de 5.000 a 7.000 metros, debaixo de uma espessa crosta de sal que chega a alcançar 2.000 metros.
A jazida de Tupi, que foi descoberta em novembro de 2007 na bacia de Santos, contém entre 5 e 8 bilhões de barris recuperáveis, de um petróleo bruto leve, e, portanto, bastante fácil de refinar a um custo moderado. Na melhor das hipóteses, ele representaria por si só a totalidade das reservas da Noruega. A jazida de Tupi sozinha permitiu duplicar as reservas comprovadas do Brasil, as quais passaram para 14 bilhões de barris. Já, os campos situados em alto-mar, segundo permitem afirmar as previsões atuais, poderiam conter entre 50 e 80 bilhões de barris.
Quer essas previsões sejam, ou não, inteiramente confirmadas, uma coisa é certa: o Brasil está no processo de tornar-se uma grande potência petroleira. O país produz atualmente 2,3 milhões de barris/dia. E quando a jazida de Tupi entrar em atividade, daqui até 2015, ele produzirá mais de 4 milhões barris/dia.
Em 2 de setembro, o chefe do Estado deu a autorização oficial para deslanchar o programa de extração nas águas muito profundas, a partir da plataforma P-34 da companhia nacional Petrobras. A exploração deste poço de perfuração servirá como experiência "piloto", e como referência para aquela da jazida de Tupi.
Em função da sua amplidão, essa "divina surpresa" petroleira conduziu o governo a se interrogar a respeito de três questões: quem vai administrar a produção das "megareservas" em águas muito profundas? Quem receberá e gerenciará as grandes quantidades de dinheiro que elas irão gerar? Qual será a sua utilização?
Sem querer lesar em demasia a "nossa cara Petrobras" - conforme esta é chamada pelo presidente Lula -, o governo está desde já inclinado a entregar a administração dos futuros campos para uma nova agência de Estado, bastante similar àquela que existe na Noruega. Este organismo aplicaria os dividendos do petróleo num fundo soberano que seria encarregado de fazê-los frutificarem. Um comitê interministerial deverá pronunciar-se a respeito deste projeto até o final do ano.
Movido por uma propensão ao nacionalismo petroleiro, o Estado quer, ao mesmo tempo, controlar melhor a produção e aumentar seus lucros. Foi em função desta orientação que a atribuição das concessões para perfuração foi suspensa em 2007. A lei será alterada e os futuros contratos serão menos favoráveis para as companhias estrangeiras, pois elas deverão pagar royalties mais elevados para o Estado. "Está fora de cogitação que deixemos os lucros provenientes do petróleo nas mãos de uma meia-dúzia de sociedades", avisou o presidente brasileiro.
As multinacionais do setor estão preocupadas diante da perspectiva de se verem retirar uma parte dos recursos apetitosos prometidos pelas recentes descobertas. Elas insistem no fato de que o Brasil vai precisar do seu dinheiro para a implementação dos enormes investimentos exigidos pela exploração em águas muito profundas.
As autoridades de Brasília também estão interessadas numa nova repartição das riquezas petroleiras - cuja exploração movimentou US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 13,25 bilhões) em 2007. Esta redistribuição deverá ser mais favorável para o Estado federal e menos generosa para com os Estados federados e as municipalidades, que são suspeitados de desperdiçá-las. O orçamento do Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, tem sido amplamente alimentado pelo "ouro negro". "O petróleo pertence à União", lembrou o presidente Lula.
O que fazer com esse dinheiro? O presidente pretende utilizá-lo para viabilizar dois objetivos sociais: financiar a educação e erradicar a pobreza. O aumento considerável desses recursos pressupõe implantar uma indústria petroleira poderosa. Esta última estimulará, por meio de um virtuoso contágio, os outros setores industriais, e deverá fazer com que o país passe a vender para a Europa, os Estados Unidos e o Japão produtos refinados de forte valor agregado, tais como o diesel.
No dia em que a sua produção superar as necessidades nacionais, o Brasil não pretende exportar petróleo bruto. Foi por esta razão que ele recusou educadamente o recente convite para tornar-se um integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que lhe havia sido transmitido pelo Irã.
Por Jean-Pierre Langellier em Le Monde - 13/9
domingo, 31 de agosto de 2008
Shai Agassi's Audacious Plan to Put Electric Cars on the Road
Em parceria com a Nissan/Renault é uma tentativa de desenvolver a tecnologia e viabilizar a comercialização de carros elétricos.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
BIODIESEL SERÁ TEMA DE EVENTO EM SP

Entre os dias 26 e 28 de agosto ocorrerá, na capital paulista, o 4º Biodiesel Congress, com promoção da IBC, em parceria com a F.O. Lichts e Agra FNP. "O evento, que reunirá executivos do governo federal, órgãos reguladores e investidores para discutir o biodiesel no contexto energético brasileiro e mundial, colocará em debate também a polêmica que envolve a produção de biocombustíveis e de alimentos", diz o gerente de Projetos da IBC e responsável pelo evento, Vinnicius Vieira.
O diretor-executivo da International Ethanol Trade Association, Joseph Sherman, o pesquisador da Embrapa, Décio Gazzoni, e o diretor da Conab, Silvio Porto, falarão sobre o real impacto de biocombustíveis e do biodiesel na oferta de alimentos.
Outro destaque será a apresentação do superintendente da Agência Nacional do Petróleo, Edson Silva. O executivo analisará as perspectivas para a distribuição e o papel de uma nova empresa no mercado de biodiesel. Estes assuntos também serão tratados pelo presidênte da Petrobrás Biocombustíveis, Alan Kardec, e pelo diretor da Global Agrienergy, André Vienna.
Outros assuntos são as oportunidades no mercado global e a participação do biodiesel na matriz de combustíveis; a formação de um mercado global para compensar os custos de produção e as projeções de mercado para 2030, além de bionergia e experiências de empresas na produção de biodiesel a partir de matérias-primas como pinhão-manso, mamona, soja, sebo bovino e óleo de palma. Dois workshops encerrarão os trabalhos.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
SAMANTHA POWER E VIEIRA DE MELLO
Para quem se interessa por boa leitura, ótima biografia, excelente escritora e excepcional personagem, Samantha Power, autora do "O Homem que queria salvar o mundo" estará as 19h30 de hoje, 18 de agosto na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista.Uma boa chance de adicionar um novo livro autografado para os herdeiros(as).
quarta-feira, 30 de julho de 2008
RODADA DOHA: APOSTA FRACASSA E LAMY FINALMENTE ADMITE DERROTA

Mais um verão, mais uma reunião ministerial fracassada na Rodada Doha.Nove dias quentes e úmidos com negociações até tarde da noite, boatos generalizados, paciências perdidas e recuperadas - e um surto incomum de otimismo na segunda metade das negociações - no final não deram em nada.A convocação de uma reunião de ministros, ainda que persistissem grandes lacunas quanto às negociações, foi, desde o início, uma aposta de Pascal Lamy, o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC). Mas ele precisa decidir até dezembro deste ano se deseja um outro mandato de quatro como diretor da OMC, e, sendo assim, pode ser que tenha achado que valia apenas fazer esta última aposta nas negociações.
A primeira semana começou com esperanças modestas. Em público, os ministros apoiaram a visão de Lamy, segundo a qual as chances de sucesso eram melhores do que nunca. Mas, reservadamente, poucas autoridades afirmavam que tais chances eram maiores do que 30%.Os acontecimentos logo passaram a seguir um padrão: de manhã uma reunião maior, com os membros da OMC, e depois um encontro menor, do qual participavam de 30 a 35 ministros, no chamado processo do "salão verde" - assim denominado devido ao salão pintado de verde que foi utilizado em anos anteriores para a reunião de grupos pequenos de negociadores.
Os Estados Unidos geraram uma certa movimentação na terça-feira da semana passada, ao proporem a redução do teto dos subsídios aos seus produtores rurais para US$ 15 bilhões (? 9,6 bilhões, £ 7,5 bilhões). O número ficou uns dois bilhões de dólares abaixo da oferta anterior de Washington, e é muito menor do que o atual limite de US$ 48 bilhões - conforme observaram prontamente o Brasil e a Índia -, embora equivalha a aproximadamente o dobro dos subsídios atuais.Mas o clima ficou difícil na manhã da quarta-feira, após a chegada de Kamal Nath, o ministro do Comércio da Índia, que estava em Nova Déli ajudando o seu governo a sobreviver a um voto parlamentar de confiança. Nath, que no passado acabou com reuniões que ele sentia que não transcorriam bem, teve uma atuação ambígua. Primeiro ele fez um discurso duro, chamando os países ricos de prepotentes e afirmando que não negociaria os interesses dos pequenos produtores rurais. Mas, ao falar à imprensa, Nath adotou um tom mais moderado.As negociações começaram a emperrar quando chegou-se a algumas questões difíceis: os países em desenvolvimento desejando proteger os vulneráveis pequenos produtores rurais e excluir os setores industriais das reduções de tarifas de importação. Um grupo menor de sete parceiros centrais de negociações - União Européia, Estados Unidos, Brasil, Índia, Austrália, Japão e China - reuniu-se até as 3h da madrugada de quarta-feira, sem que houvesse muito progresso.Naquele momento as negociações pareciam estar na iminência de fracassar.
Os membros da delegação da União Européia passaram a embarcar em vôos a partir de Genebra na quinta-feira. E também na quinta-feira as negociações chegaram tão perto de um colapso que Mariann Fischer Boel, a comissária de Agricultura da União Européia, redigiu e mandou imprimir um discurso, preparando-se para comentar o fiasco.Porém, depois que o incansável Lamy começou a fazer circular potenciais compromissos, as conversações foram resgatadas. Atribui-se também a um telefonema entre Nath e Manmohan Singh, o primeiro-ministro indiano, a suavização do tom utilizado pela Índia. A minuta de um acordo que circulou na última sexta-feira foi aceita - com bastante relutância no caso de alguns países, como a Argentina, que desejava maior proteção para as suas indústrias - como base para negociação.Após uma sessão informal bem-sucedida sobre serviços, ocorrida no fim de semana, aumentou a perspectiva até então distante de um acordo.Mas o acordo para a negociação acabou revelando-se nada mais do que isto, e a discórdia ressurgiu segundo um padrão familiar.
Os Estados Unidos, com a cobertura de alguns exportadores agrícolas do mundo em desenvolvimento, como o Uruguai, insistiram que a Índia e a China abrissem os seus mercados de algodão e arroz. A Índia e a China, apoiadas por países de peso como a Indonésia, declararam que os Estados Unidos estavam pedindo um sacrifício excessivo a Pequim e Nova Déli.Até então Pequim ficava na retaguarda das negociações, apesar da solicitação norte-americana de que a China assumisse um papel de liderança. Washington acabou tendo o seu desejo atendido, mas não da forma que desejava. Na última segunda-feira a China manifestou-se, denunciando publicamente a hipocrisia dos Estados Unidos por subsidiarem pesadamente os seus cotonicultores - um dos pontos mais vulneráveis e sensíveis dos norte-americanos -, enquanto exigem que os outros países exponham os seus produtores de algodão a uma competição intensa.
A China chamou atenção para o fato de que o país já promoveu uma rápida liberalização como preço para ingressar na OMC em 2001, na mesma reunião na qual foi criada a Rodada Doha.As conversações prosseguiram penosamente por mais dois dias, até que finalmente chegaram a um fim, sem que nenhum país mostrasse disposição para dar o golpe de misericórdia, devido ao temor de ser acusado de matar a negociação. Mas Lamy acabou admitindo que a sua aposta não deu resultado, e a Rodada Doha, que tem seis anos de idade, voltou a cair em um limbo.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
SERÁ QUE AS NEGOCIAÇÕES DE COMÉRCIO MUNDIAL PODEM ACOMPANHAR O RITMO DA MUDANÇA GLOBAL?
quinta-feira, 3 de julho de 2008
ALGUMA COISA ESTÁ ERRADA, NÃO?
GM - MAKER OF REAL CARS - MARKET CAP USD 5,6 bn
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Krugman: nada irá trazer de volta os dias de petróleo barato
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
O Congresso sempre teve uma queda por "especialistas" que dizem aos seus membros o que eles querem ouvir, sejam economistas do lado da oferta declarando que cortes de impostos aumentam a receita ou céticos em relação à mudança climática insistindo que o aquecimento global é um mito.No momento, o tapete de boas-vindas está aberto para os analistas que alegam que especuladores fora de controle são responsáveis pela gasolina a US$ 4 o galão.Em maio, Michael Masters, um administrador de fundo hedge, causou furor quando disse a um comitê do Senado que a especulação é a principal causa da alta dos preços do petróleo e outras commodities.
Ele apresentou gráficos mostrando o crescimento do mercado futuro de petróleo, no qual os investidores compram e vendem promessas de entregar petróleo em uma data posterior, e alegou que "o aumento na demanda por especuladores de índices" -seu termo para investidores institucionais que compram contratos futuros de commodities- "é quase igual ao aumento na demanda na China".Muitos economistas zombaram: Masters estava fazendo uma alegação bizarra de que apostar em um preço mais alto do petróleo -porque é isto o que significa comprar um contrato futuro- é equivalente a de fato queimar o produto.
Mas os membros do Congresso gostaram do que ouviram, e desde aquele depoimento grande parte do Capitólio adotou o discurso de culpar os especuladores.Um tanto surpreendente, os republicanos se mostraram no mínimo tão dispostos quanto os democratas em condenar os especuladores malvados. Mas a verdade é que a fé dos conservadores no livre mercado meio que evapora quando se trata de petróleo. Por exemplo, a "National Review" tem publicado artigos culpando os especuladores pelos altos preços do petróleo há anos, desde que o preço ultrapassou os US$ 50 o barril.E foi John McCain, e não Barack Obama, que disse recentemente isto: "Enquanto alguns poucos especuladores impulsivos contam seus lucros, a maioria dos americanos está na pior -usando uma fatia cada vez maior de seus salários obtidos com suor para comprar gasolina".
Por que os políticos estão tão ávidos em atribuir a culpa pelos preços do petróleo aos especuladores? Porque permite que acreditem que não precisamos nos adaptar a um mundo de gasolina cara.De fato, nesta última segunda-feira, Masters assegurou a um subcomitê da Câmara que um retorno aos dias do petróleo barato está mais ou menos ao alcance. Se o Congresso aprovasse uma legislação restringindo a especulação, ele disse, os preços da gasolina cairiam quase 50% em questão de semanas.
Ok, vamos falar sobre a realidade.A especulação está tendo um papel na alta dos preços do petróleo? Não está fora de questão. Os economistas estavam certos em zombar de Masters -a compra de contratos futuros não reduz diretamente a oferta de petróleo aos consumidores- mas sob certas circunstâncias, a especulação no mercado futuro de petróleo pode aumentar os preços indiretamente, encorajando os produtores e outros agentes a reter petróleo em vez de torná-lo disponível para uso.O que está acontecendo agora é tema de uma disputa altamente técnica. (Os leitores interessados no assunto podem ir ao meu blog, krugman.blogs.nytimes.com, e seguir os links.) Basta dizer que alguns economistas, eu incluso, damos importância ao fato de que os sinais habituais de boom especulativo de preço estarem ausentes.
Mas outros economistas argumentam que a ausência de evidência não é evidência sólida de ausência.E quanto aqueles que argumentam que a especulação excessiva é a única forma de explicar a velocidade com que os preços do petróleo aumentaram? Bem, eu tenho algo para eles: minério de ferro.O minério de ferro não é negociado em uma bolsa mundial; seu preço é estabelecido em acordos diretos entre os produtores e os consumidores. Então não há modo fácil de especular com os preços do minério de ferro. Mas o preço do minério de ferro, assim como o do petróleo, saltou ao longo do ano passado. Em particular, o preço que os produtores de aço chineses pagam para as minas australianas saltou 96%.Isto sugere que o aumento da demanda por parte das economias emergentes, e não a especulação, é a verdadeira história por trás da alta dos preços das commodities e matérias-primas, incluindo o petróleo.
De qualquer forma, uma coisa é clara: a agitação em torno da especulação no mercado do petróleo está nos distraindo das questões reais.Uma regulação mais rígida do mercado de futuros não é uma má idéia, mas não trará de volta os dias de petróleo barato. Nada irá. Os preços do petróleo flutuarão nos próximos anos -não seria uma surpresa uma pequena queda caso os consumidores passem a dirigir menos, comprem carros mais econômicos e assim por diante- mas a tendência a longo prazo certamente é de alta.
Grande parte do ajuste aos preços mais altos do petróleo virá por meio da iniciativa privada, mas o governo pode ajudar o setor privado de várias formas, colaborando com o desenvolvimento de tecnologias de energia alternativa e novos métodos de conservação, assim como ampliando a oferta de transporte público.Mas nós nem mesmo teremos o início de uma política racional de energia se continuarmos ouvindo pessoas que nos garantem que basta desejarmos que os preços altos do petróleo irão embora.
Em NYT - 27/06terça-feira, 17 de junho de 2008
NA ÁSIA, EMPRESAS OLHAM ALÉM DA CHINA
Seria difícil de imaginar que apenas por uma demonstração de confiança no Vietnã alguém decidisse superar a iniciativa da Intel, no início de 2006, de investir US$ 350 milhões na construção de uma nova fábrica nessa economia emergente do Sudeste Asiático. Mas antes do fim do ano, a própria a fabricante americana de microprocessadores se superou, e aumentou seu investimento para US$ 1 bilhão. Em oito meses, a Intel injetou tanto dinheiro no Vietnã quanto havia investido na China nos dez anos anteriores.Na região de Johor, na Malásia, a Flextronics, outra empresa mundial, inaugurou linhas de produção (um custo de US$ 110 milhões) para fabricar impressoras para computadores da Hewlett-Packard. Um dos maiores fabricantes de eletrônicos sob contrato, a Flextronics tem enormes instalações na China. Mas escolheu a Malásia para o novo investimento.
Embora cada uma das três empresas tenha diferentes razões para suas decisões, o resultado final foi o mesmo: decidiram evitar a trovejante economia chinesa e instalar suas fábricas em outros países da Ásia. Essas companhias não estão sozinhas. No cálculo de custos, riscos, clientela e logística, um número crescente de empresas está chegando à conclusão de que a China não é, necessariamente, o melhor lugar para se produzir. Com sua aparentemente ilimitada oferta de mão-de-obra barata e rápida aquisição de extraordinária competência tecnológica, a China parece imbatível. Com efeito, a percepção é de que cada fábrica fechada nos EUA ou Europa está destinada a reabrir na China. Muitas o fizeram, contribuindo para que a participação das exportações da China, em comparação com as do mundo inteiro, triplicasse para 7,3% entre 1993 e 2005. Por outro lado, cada membro do grupo do G-7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) viu a sua participação diminuir.
Scott Brixen, um analista da CLSA Asia-Pacific Markets, um banco de investimentos sediado em Kong Hong , sugere duas explicações para o fato de a China não estar no topo da lista como sede para algumas novas fábricas: "custos crescentes e um desejo natural de diversificação por parte das empresas".
Um estudo sobre remuneração dos asiáticos feita por Scott Brixen, analista da CLSA Asia-Pacific Markets, um banco de investimentos sediado em Hong Kong , mostra que os salários médios de um operário, somado a custos de seguridade social, chegaram a quase US$ 350 mensais em Xangai em 2005 e quase US$ 250 por mês em Xenzhen. Já em Manila, os salários mensais eram inferiores a US$ 200, de cerca de US$ 150 em Bancoc e pouco mais de US$ 100 em Batam, na Indonésia. Embora a produtividade dos trabalhadores chineses esteja crescendo, em muitos setores ela não acompanha o ritmo dos salários.
Uma solução, para as companhias, é transferir-se para o interior, onde muitos custos são muito inferiores que os da costa da China. De fato, o governo vem estimulando essa política desde 2000 para disseminar os benefícios do desenvolvimento no pobre interior da China. As companhias nacionais chinesas lideraram a migração para o interior, e um pequeno, mas crescente, número de empresas estrangeiras as seguiram.
A Intel é uma delas. Em 2004, a companhia decidiu investir US$ 525 milhões em uma nova fábrica em Chengdu, capital da província de Sichuan, para complementar suas fábricas existentes na costa em Xangai, a 1,6 mil km de distância. A empresa foi atraída por generosos incentivos concedidos pelo governo, segundo Brian Krzanich, diretor geral das operações de teste e montagem da Intel. É desnecessário dizer que, estando tão longe, no interior, sobem os custos de transporte para os exportadores. Mas Krzanich avalia haver compensações. A mão-de-obra e os serviços públicos são muito mais baratos do que no litoral.
Nem todo mundo, porém, está convencido disso. Na Flextronics, as fábricas de Tan na China estão todas localizadas em províncias costeiras orientais. "Não temos interesse em ir para o oeste", diz ele, porque é muito caro levar nossos produtos de lá para os EUA e a Europa. Outros observadores acrescentam que a escassez de talento gerencial no interior é ainda maior do que no litoral.
Os custos são apenas parte da equação. Igualmente importante é a diversificação. Tendo já transferido grande parte de sua produção para a China, muitas empresas estão relutantes em colocar mais ovos num mesmo cesto. Um relatório de pesquisa redigido no ano passado pela Organização de Comércio Exterior do Japão concluiu: "devido aos crescentes riscos para os negócios e o crescimento dos custos de mão-de-obra no país... as empresas japonesas que estão praticando uma estratégia 'China mais um'- pela qual elas investem na China e em um outro país (na Asean) - deveriam considerar dar maior ênfase ao país 'mais um'".
As companhias japonesas podem estar particularmente receosas, mas esse nervosismo é agora compartilhado por gerentes de outros países. Algumas das empresas estão preocupadas com a crescente agitação social na China, à medida que aumenta a desigualdade entre faixas da população rural do país, especialmente no oeste, e o leste, sede do maior progresso. Estatísticas oficiais registraram 87 mil manifestações nas ruas e turbulência social em 2005, muitas delas após a apropriação à força de terras em nome do desenvolvimento. O número real de protestos pode ser muito maior. Igualmente importantes são as preocupações quanto ao crescente protecionismo. OS EUA e a União Européia (UE) estão revelando-se mais assertivos ao cobrar da China o cumprimento de seus compromissos assumidos junto à Organização Mundial de Comércio (OMC). As companhias temem que isso possa resultar em súbitas interrupções do comércio.
Consideremos a Yue Yuen, maior fabricante mundial de sapatos sob contrato. São 180 milhões de calçados produzidos por ano na China, Vietnã e Indonésia, a maior parte destinada aos EUA e Europa. Assim, quando a UE impôs tarifas antidumping, em outubro de 2006, sobre calçados de couro importados da China e do Vietnã, a empresa rapidamente incrementou sua produção na Indonésia. "As relações comerciais com outros países e o cenário de tarifas e quotas são considerações vitais para definir onde investimos", diz Terry Ip, porta-voz da companhia.
As mesmas considerações aplicam-se aos níveis salariais. Cada calçado passa por 200 pares de mãos na linha de produção, e portanto, as operações da Yue Yuen são fortemente intensivas em mão-de-obra. Na China, a companhia está submetida a uma rápida inflação de salários, embora isso seja parcialmente compensado por melhorias de produtividade, implicando que o custo total unitário de mão-de-obra está crescendo 8% ao ano. A remuneração de operários em fábricas está crescendo também no Vietnã e na Indonésia, observa Ip, mas lá os custos são até 35% inferiores aos típicos na região costeira chinesa.
A China é sinônimo também de outros riscos, especialmente pela ausência de proteção a direitos de propriedade intelectual. São inúmeras as histórias de investidores estrangeiros que descobrem empresas locais produzindo artigos idênticos aos seus, mas sob uma marca diferente. Por essa razão, algumas companhias em setores como o de aparelhos médicos, em vez de estabelecerem-se na China, foram para Cingapura.
Freqüentemente esses produtos são intensivos em capital, de modo que os custos trabalhistas são menos importantes do que severas leis de propriedade intelectual. Diversas companhias químicas chegaram a construir instalações em Cingapura com a intenção de exportar a maior parte de seus produtos para a China. Insumos são mais facilmente disponíveis em Cingapura, mas igualmente importante é a confiança em que processos industriais não serão roubados.
Os administradores de empresas também se preocupam com a valorização da moeda chinesa. Embora ninguém espere saltos bruscos, o yuan parece, efetivamente, estar em trajetória firmemente ascendente, tendo subido outros 4% frente ao dólar desde que o governo pela primeira vez valorizou a moeda em 2,1% em julho de 2005. Os experts acreditam que o yuan continuará a subir, em torno de 5%, nos próximos 12 meses, o que em nada contribuirá para fortalecer a atratividade chinesa como base industrial exportadora. Evidentemente, custo e risco não são as únicas considerações ao decidir onde instalar uma fábrica. A qualidade da infra-estrutura de um país, a presença de fornecedores e o tamanho do mercado local - tudo conta. Por essas razões, a China continuará sendo um lugar atraente para investir.
Kumar Bhattacharyya, professor de processos de manufatura na Universidade de Warwick, Reino Unido, acredita que o atrativo do crescente mercado interno chinês preponderará sobre as diversas preocupações quanto a custos. "Por que as empresas vão para a Índia e China? A resposta padrão é: em busca de mão-de-obra barata; mas a maioria das grandes empresas de tecnologia vão para lá pelo mercado", diz.
Na Ásia emergente, simplesmente não há mercados maiores do que a China, com seu 1,3 bilhão de pessoas. A riqueza das pessoas ainda é extremamente baixa, em comparação com os EUA e a Europa, mas nas grandes cidades está surgindo uma classe média vibrante. Com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano, a China oferece um enorme potencial. Meios de transporte e outras infra-estruturas, na China, estão também em melhor forma do que em muitos outros países asiáticos, e a qualidade e disponibilidade de fornecedores está melhorando, viabilizando o desenvolvimento de cadeias de suprimento extremamente integradas no país.
O setor de autopeças é um bom exemplo: a Toyota e a Hyundai investiram recentemente na Índia para aproveitar os quase 700 mil engenheiros e diplomados em ciências que o país forma por ano.
A maioria dos observadores estima que a evolução industrial indiana está dez anos atrasada em relação à China, mas é improvável que o estreitamento da defasagem seja tão rápido ou harmonioso. País que atribui um valor mais alto que a China à democracia e aos direitos dos indivíduos, a Índia terá, inevitavelmente, maior dificuldade para pôr em prática projetos de infra-estrutura e reformas em áreas delicadas, por exemplo, no rígido mercado de trabalho.
Com 560 milhões de pessoas, o bloco comercial da Asean também tem uma grande população. O Sudeste Asiático tem sido o principal beneficiário da decisão das companhias de diversificar fora da China. O problema é que os dez países da Asean ainda não constituíram um mercado comum. Embora a região ofereça muitas oportunidades para indústrias exportadoras, como mercado comum ele continua extremamente fragmentado. Os governos da região anunciaram planos ousados de criação da Comunidade Econômica da Asean até 2015, com fluxo livre de mercadorias, serviços e investimentos. Depois da assinatura de um acordo de livre comércio em 1992, as tarifas sobre a maioria dos bens comercializados na região caíram para menos de 5%
Muito mais difícil será implementar a eliminação de barreiras não tarifárias.
Poucos acreditam que a Comunidade Econômica da Asean será criada como esperam seus arquitetos. Países menos desenvolvidos, como Mianmar e o Laos, deverão integrar-se mais lentamente do que países como Cingapura e Malásia - se chegarem a se integrar. Mesmo assim há progressos, e a rápida ascensão da China e da Índia impõe urgência ao processo. Enquanto isso, os governos precisam também pensar em como levar seus setores de atividade industrial a agregar mais valor. Embora a Asean venha recebendo níveis recordes de investimento estrangeiro direto - US$ 37 bilhões em 2005 - grande parte da atividade industrial vindo para a região é de trabalho básico de montagem, intensivo em mão-de-obra, que agrega apenas pouco valor.
Para Roland Villinger, um sócio na firma de consultoria McKinsey em Bancoc, a região necessita incrementar a sofisticação de sua indústria de transformação. Ele concorda em que muitas fábricas na Asean fazem parte de uma estratégia "China mais um ou mais dois". Mas acredita que o Sudeste Asiático precisa ser mais do que apenas uma proteção contra riscos na China. E a Asean tem sua própria parcela de riscos. O novo governo militar da Tailândia parece estar fazendo tudo o que pode para desencorajar investimentos, por exemplo, impondo maiores restrições ao capital estrangeiro e controles monetários.
Mas há boas notícias. Cingapura tem uma força de trabalho com ótima formação acadêmica, embora sua população seja de apenas cerca de 4 milhões de habitantes. A Malásia teve algum sucesso na implantação de processos industriais de maior valor agregado. Em maio, por exemplo, a Intel inaugurou um novo centro de pesquisas em Kulim, empregando 900 pessoas. E na Tailândia, os esforços para transformar o país na "Detroit Oriental" estão começando a render dividendos.
Outros países na região, porém, ainda não fizeram suficiente progresso. Enquanto os investidores estrangeiros se afogam nos números de investimentos na China e buscam outros países, esse imobilismo não tem grande importância. Mas à medida que a Índia for resolvendo seus problemas e que o mercado chinês for crescendo mais, o Sudeste Asiático precisará integrar seus próprios mercados ou verá pouco a pouco dissipar-se sua nova popularidade entre as empresas industriais.
domingo, 15 de junho de 2008
INTERNACIONALIZAÇÃO DA GESTÃO BRASILEIRA
quarta-feira, 4 de junho de 2008
O REAL VALOR DAS MARCAS
Sugestão de blog muito bem bolado: http://www.brandtags.net/
Mostra, randomicamente, logotipos de empresas conhecidas e convida o internauta e escrever a primeira palavra ou frase que lhe vem à mente quando vê o tal símbolo.
Além disso, permite que o internauta veja os votos de outros usuários -- e, com isso torna-se uma incrível ferramenta para os marqueteiros de plantão "mediram" a imagem de suas marcas.
OBAMA ASSEGURA CANDIDATURA DEMOCRATA

Pré-candidato da oposição não deve representar grandes mudanças ao comércio com o Brasil, dizem especialistas
Após uma disputa de meses com a senadora americana Hillary Clinton, o também senador Barack Obama conseguiu nas últimas horas reunir o apoio de que precisava para tornar-se o candidato do Partido Democrata à Presidência da República dos Estados Unidos. Com o apoio declarado da maioria dos superdelegados, os membros do partido que definem quem encabeçará a chapa, Obama tem o apoio necessário dentro de seu partido para tornar-se o primeiro negro a concorrer ao cargo à frente de um dos dois grandes grupos políticos. Apesar da dianteira de Obama, sua adversária ainda não admitiu a derrota.
Eles apontam que apesar do discurso incisivo em favor do multilateralismo e da reconquista de confiança internacional na liderança americana, Obama não terá forças para se tornar o primeiro presidente em muitos anos a interferir em questões essenciais para uma parte significativa das empresas brasileiras, como a derrubada de barreiras tarifárias aos produtos agrícolas e o fim dos subsídios a produtores de commodities.
"É difícil saber qual das tendências vai predominar, mas mesmo que Obama negocie mudanças, elas precisarão ser aprovadas pelo Congresso, onde a resistência é muito maior. Os brasileiros deveriam se preocupar mais com os parlamentares, comprometidos com os eleitores, do que com o presidente, que precisa pensar mais nas conseqüências externas do que se decide no país", opina Lawrence.
O cenário propício ao que o analista de Harvard chama de "forma americana de populismo" também é o mais provável na opinião do professor de Política e Ética da Universidade de Campinas, Roberto Romano. Ele acredita que o lobby por protecionismo terá um campo fértil no governo do democrata, uma vez que a própria linha política do candidato não parece tão definida quanto a dos demais.
Etanol em segundo plano
Além da necessidade de conquistar a simpatia de eleitores e empresários, o próximo presidente americano chegará ao cargo num cenário bastante desfavorável a mudanças que num primeiro momento tragam prejuízos à balança comercial do país, segundo os especialistas. Os Estados Unidos de hoje começam a sofrer tanto com a recessão quanto com a inflação e registram grandes déficits em conta corrente, que os obrigam a tomar empréstimos de países superavitários, como a China e os exportadores de petróleo do Oriente Médio. Também pesa a escalada de preço do óleo cru para acima de 130 dólares por barril, que amplia o desequilíbrio entre gastos e ganhos no comércio.
"Não se trata da relação dos Estados Unidos com o Brasil, mas o contrário. O Brasil é que quer que o etanol esteja na pauta das exportações, e não o contrário", aponta o ex-embaixador do Brasil em Washington e atual presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Rubens Barbosa.
O professor de Harvard Robert Lawrence reforça a improbabilidade de o etanol entrar na pauta americana de importações. "Se a preocupação principal dos americanos de fato fosse com o aquecimento global ou a escassez de alimentos, já estariam importando etanol do Brasil, mas continuam com o etanol de milho", diz.
A definição do presidente americano deve ocorrer apenas em novembro e o candidato assumirá o cargo em janeiro de 2009.
Em Exame, por Ana Greghi e Peri de Castro
quinta-feira, 15 de maio de 2008
EU GOSTO TAMBÉM - ALL FOR 1
“A Essência das corridas – A Fórmula 1 é mais do que um esporte. É uma atitude. Um desejo comum de alcançar o topo. À nossa frente se estendem milhares de quilômetros nos circuitos. Dezoito grandes prêmios nos esperam para provarmos nosso desejo de vencer. E é este o objetivo que almejamos: elevar nossos sucessos anteriores e fazer de 2008 o ano de nossa primeira vitória. É esse o desafio que ousamos enfrentar. Esta é a meta que seguimos. Em cada segundo. Em cada pensamento de cada membro da nossa equipe. Todos por um.”quarta-feira, 14 de maio de 2008
AS INDUSTRIAS FLUTUANTES CHINESAS
O governo chinês embarca em navios peças e mão-de-obra especializada, que vai montando máquinas ao longo da viagem marítima. Como algumas partes desses maquinários são importadas, em vez de ficar aguardando a chegada da peça na China, o navio vai ancorando nos portos em que ela está disponível durante a viagem até o destino final: o país do comprador do bem de capital. Com esse modelo de indústria, a China consegue entregar em quatro a seis meses uma máquina que outros países demoram cerca de um ano para fazer chegar às mãos do seu cliente. Não por outro motivo a China hoje é um grande competidor internacional no setor de máquinas e equipamentos. Lidera, por exemplo, a produção de guindastes para portos, já considerados um dos mais avançados do mundo.
O fato é que entender a China e suas estratégias passou a ser vital para competir no mundo atual. De um país antes conhecido por fabricar produtos baratos e ruins, hoje busca avançar no mercado internacional desenvolvendo produtos de alta tecnologia, ainda a preços bem mais competitivos do que seus parceiros internacionais. Resultado de um país que cresceu de 1979 a 2006 a uma taxa média de 9,6% ao ano. Que hoje, diante da escassez de energia provocada pelo salto econômico, procura transferir indústrias de consumo energético intensivo para outros países, como o Brasil.
Na busca de compreender esse ator global, a Fundação Dom Cabral decidiu pesquisar as empresas chinesas e sua atuação no Brasil. A primeira etapa do estudo resultou na montagem de um ranking com as 200 maiores companhias da China, intitulado "Os futuros donos do poder: Top 200 Chinese Dragons". Desse grupo, pelo menos dez já estão atuando no Brasil, inclusive aquela que é considerada hoje a maior empresa chinesa: Sinopec, uma companhia petroleira (veja relação abaixo).
Responsável pelo estudo, o professor Carlos Arruda diz que as cinco maiores empresas chinesas listadas no ranking apresentam um faturamento superior a US$ 500 bilhões. Além da Sinopec, as outras quatro são: China National Petroleum Corporation, State Grid Corporation of China(SGCC), Petrochina Company Ltd. e Industrial and Commercial Bank of China. Segundo Arruda, boa parte dos 200 dragões chineses tem sua origem em "decisões de organismos, agências ou instituições ligadas ao governo central". Muitas delas, porém, são tidas como empresas privadas de capital aberto, com ações disponíveis nas bolsas de Hong Kong e Nova York. O que torna muito complexo a definição do que é realmente público e privado no gigante asiático.
Em sua pesquisa, Carlos Arruda afirma ter notado que as empresas chinesas hoje buscam associar o baixo custo com a inovação tecnológica. Diz ele no estudo que, atualmente, "mais do que a capacidade de produção a baixo custo", as empresas do ranking procuram se destacar "se associando com parceiros tecnológicos de todo o mundo". O professor cita o caso da Haier, uma das maiores produtoras de refrigerantes da China, que se tornou líder mundial na fabricação de adegas climatizadas. A empresa, em associação com a Walmart (Sam's Club), "desenvolveu produtos 50% mais baratos do que os concorrentes, com tecnologias muito mais avançadas".
Segundo Arruda, em pouco tempo a Haier conquistou 60% do mercado americano.
Dessas empresas chinesas que buscam incorporar alta tecnologia a seus produtos, o professor Carlos Arruda menciona também a Huawei, já presente no Brasil no setor de telecomunicações. A empresa chinesa se associou à Telefônica (Vivo) para desenvolver e lançar a família de telefones celulares de terceira geração. O pesquisador da Fundação Dom Cabral destaca que hoje na China é possível encontrar universidades montadas por empresas para formação de mão-de-obra especializada em tecnologia avançada. O segundo passo da Dom Cabral será analisar a atuação no Brasil das empresas chinesas. Entre as 200 maiores companhias chinesas, as dez que já estão no Brasil são:
Air China (transporte/logística)
Bank of China (setor financeiro)
Baosteel (siderurgia e metalurgia)
China Metais e Minerais - Minmetals (siderurgia e metalurgia)
China Shipping do Brasil (transporte/logística)
Cosco Brasil S/A (transporte/logística)
Gree Electric Appliances Inc. (eletroeletrônico)
Sinopec (petróleo e gás)
ZTE (telecomunicações)
Huawei (telecomunicações)
Por Valdo Cruz em FSP
domingo, 11 de maio de 2008
OBAMA E McCAIN JÁ PREPARAM ESTRATÉGIAS AGRESSIVAS DE CAMPANHA
Os senadores John McCain, republicano do Arizona, e Barack Obama, democrata de Illinois, estão elaborando estratégias para derrotar um ao outro nas eleições gerais, concentrando seus esforços nos mesmos grupos - incluindo os eleitores independentes e os latinos - e em cerca de uma dezena de Estados que acreditam decidirão a disputa neste outono, disseram os assessores das campanhas. Mesmo antes de Obama ter sido nomeado candidato pelo partido democrata, ele e McCain, presumido candidato republicano, já começaram a reunir suas equipes nos principais campos de batalha, desenvolvendo propagandas negativas que envolvem seriamente o adversário e levantando uma mistura explosiva de temas, que inclui idade e patriotismo. terça-feira, 6 de maio de 2008
THE WAY AHEAD FOR BRAZIL

CRESCIMENTO DOS BRICS JÁ ATRAI INVESTIDORES DE TODO O MUNDO
Foi em novembro de 2001 que Jim O'Neill, um economista do Goldman Sachs, cunhou o termo atualmente usado para descrever o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, países emergentes de rápido crescimento, no artigo econômico "Buiding Better Global Economic Brics" (algo como "Construindo Melhores Tijolos Econômicos Globais". Na criação do termo "Brics", o autor jogou com o homófono "bricks", ou tijolos). Ele argumentou que, até o final da década, estas quatro economias poderiam representar mais de 10% do produto global bruto.
Em apenas seis anos, o banco de investimento reformulou drasticamente aquela previsão. Em novembro passado ele previu que a economia chinesa ultrapassaria a dos Estados Unidos por volta de 2027, que a Índia alcançaria a economia norte-americana até 2050 e que as quatro nações, como um grupo, superariam o G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) em 2032. Assim, apesar de todo o recente debate a respeito da "desconexão" entre os mercados Bric e o Ocidente e a subseqüente "reconexão" durante a retração de crédito, estas são oportunidades de crescimento de capital de longo prazo que os gerentes financeiros - e os seus clientes - não podem ignorar.
A história do crescimento dos Brics já está circulando por todo o mundo. No ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) calculou que os Brics e os mercados emergentes que eles estão ajudando a alimentar respondiam por 30% da economia global, e por 47% de todo o crescimento mundial - sendo a China o maior contribuidor, com o Brasil, a Rússia e a Índia não muito atrás.Mas não são só as commodities e a produção industrial de baixo custo que estão impulsionando este crescimento. Segundo a Reuters, é na Índia e nas economias asiáticas emergentes que está instalado quase 26% do mercado global de serviços de tecnologia da informação, e esta percentagem está aumentando em um ritmo anual mais rápido do que os dos serviços de tecnologia da informação nos mercados desenvolvidos. Esse crescimento é alimentado tanto pela demanda internacional quanto pela doméstica. As economias Bric ajudaram a expandir a fatia das exportações globais referente aos mercados emergentes de 20% em 1970 para 42% em 2006, de acordo com a revista "Professional Wealth Management".
Ao mesmo tempo, os fluxos de capital para os Brics e os mercados emergentes atingiram níveis recordes, e o Instituto de Finanças Internacionais anunciou que os investimentos estrangeiros diretos nestes países saltou de US$ 167,4 bilhões em 2006 para US$ 255,6 bilhões em 2007, em uma expansão de mais de 50%.Na verdade, desde que o termo Brics surgiu pela primeira vez no léxico do setor de wealth management (administração de patrimônio e riqueza), os fluxos de investimentos têm alimentado os mercados de ações desses países emergentes.
De novembro de 2001 e novembro de 2007, o mercado de ações do Brasil cresceu 369%, o da Índia 499%, o da Rússia 630% e o da China 201%, caso se use como parâmetro o mercado de "A-shares", ou 817% pelo Hang Seng China Enterprise Index. Com mercados de ações tão robustos, não é de se surpreender que os países Bric tenham respondido por 39% das ofertas públicas iniciais (IPOs) mundiais no ano passado, o que representa um aumento de 32% em relação a 2006. Assim, para os investidores privados, a maneira mais óbvia de obter exposição a esses mercados é por meio dos fundos de ações ativamente administrados.Michael Konstatinov, gerente de fundos da empresa alemã de seguros e serviços financeiros Allianz, afirma que os países do Bric estão exibindo sinais de desaceleração em 2008.
Ele argumenta que esses países continuarão sendo cruciais para o crescimento econômico global, com o Brasil alcançando o mais intenso crescimento econômico e a maior expansão das exportações, a Rússia compensando os menores fluxos de capitais com os elevados preços do petróleo, a Índia alavancada pelo maior consumo interno e a China mantendo índices de crescimento do produto interno bruto acima de 10%, graças aos preços flutuantes das suas commodities domésticas e os custos baratos de frete."Acredita-se que o Brasil terá melhor desempenho do que a China em 2008", afirma Konstantinov. "Acreditamos que isto deverá apoiar os preços dos ativos e especialmente o mercado de ações no Brasil, tornando o país menos vulnerável ao que ocorrer na economia global no ano que vem".
Mas alguns wealth managers, ou administradores de investimentos e riqueza, questionam o momento da entrada dos gerentes de retail funds nos Brics. Graeme Currie, do Alan Steel Asset Management, diz: "A questão agora é saber qual é o vigor que estes países ainda possuem. Será que as taxas de expansão sem precedentes são sustentáveis? A indústria de serviços financeiros possui um histórico notável no que se refere a alçar os fundos de nichos rumo ao extremo superior da parábola - pensem no setor de tecnologia, de fundos de saúde e de propriedade comercial". Currie ainda concorda que os gerentes de retail funds mais experientes devam escolher bem as ações e capitalizar novos crescimentos desses países. Atualmente, porém, os bancos privados estão sugerindo formas de se obter uma exposição mais no estilo institucional e com gerenciamento de capital de risco.
A UBS utiliza imóveis, private equity e produtos estruturados vinculados a commodities e moedas para proporcionar aos seus clientes a exposição aos Brics. "Sabemos para onde o navio está navegando, só que a rota pode ser meio tempestuosa", explica Gavin Rankin, diretor de consultoria de produtos e serviços da UBS Wealth Management no Reino Unido. "Portanto, usamos uma perspectiva de longo prazo e pensamos em diferentes classes de ativos".Os investimentos em imóveis são feitos por meio de um fundo especializado que diversifica a exposição em um conjunto de gerenciadores de fundos. Este fundo pode fazer investimentos oportunistas na construção de propriedades residenciais e comerciais, nas áreas dos países Bric que se beneficiam da expansão da atividade econômica e da classe média.
A exposição às equities privadas pode ser proporcionada em vários setores, do capital de risco ao capital de crescimento, das compras de direitos às companhias em apuros. Mas é no capital de crescimento que a UBS enxerga mais oportunidades - a empresa fechou no ano passado um fundo global que investia em "companhias que tentavam chegar ao próximo estágio" e conta com uma alocação de recursos de 25% na Índia. "Isto é outra coisa que os clientes adoram", afirma Rankin. "É algo que tem um horizonte de longo prazo, e que se baseia em um tema de longo prazo de fato atraente: a emergência de gigantes".Recursos cambiais e de commodities são investidos por meio de produtos estruturados a fim de garantir proteção de capital. Esses investimentos oferecem uma oportunidade baseada nas moedas dos Bric, que estão se fortalecendo em relação ao dólar. Os preços dos produtos agrícolas também estão fortes, algo que está vinculado à tendência dos países Bric de adotar dietas mais ocidentais. "Os clientes estão investindo em diversos produtos estruturados baseados em índices de alimentos", explica Rankin. "O interesse inicial foi dos clientes que enxergaram nisto um tema de investimento - talvez eles tivessem sido expostos a tal setor nos seus próprios negócios.
Mas esta prática está também embasada em pesquisas sólidas". Os clientes da UBS podem até contar com a oportunidade de investir em um fundo destinado à compra de terras para atividade agropecuária na América Latina, investir na estrutura produtiva da propriedade e sair após sete anos por meio de venda ou ofertas públicas iniciais. "Nós usamos alguns fundos de ações", admite Rankin. "Mas é possível se expor a alguma volatilidade de curto prazo. Assim, a maioria dos clientes expõe-se aos mercados emergentes por meio de produtos estruturados. Eles apreciam a idéia, mas não estão preparados para perder tudo neste setor".
O Barclays Wealth também adota uma abordagem mais institucional ao oferecer aos seus clientes oportunidades na América Latina, na Índia, na China e na Europa Oriental. Ele usa somente fundos de longo prazo cuja exposição está alinhada com o mercado, juntamente com investimentos de longo prazo em private equities, imóveis e infra-estrutura.Barbara-Ann King, diretora de produtos alternativos do Barclays Wealth, explica: "Muitas vezes os clientes não são capazes de obter acesso a essas oportunidades por conta própria, e é preciso que os seus investimentos sejam profissionalmente gerenciados. O acesso a tais produtos de qualidade institucional é proporcionado aos clientes privados via 'feeder funds' com níveis de entrada mais baixos".No momento, o Baclays Wealth está de olho especialmente nos setores de infra-estrutura e de imóveis na Índia, e nos de agricultura e infra-estrutura na América Latina.
A instituição também acredita que as cidades adjacentes na China parecem ser viáveis para investimentos no setor imobiliário e de infra-estrutura, e está monitorando as oportunidades."Os produtos serão fornecidos em grande parte por uma estrutura clássica de private equity com investimento de dez anos", afirma King. O Credit Suisse sugere uma abordagem de menor custo. "Uma das maneiras mais fáceis e baratas, mas igualmente efetiva, de fazer tal coisa é por meio dos exchange traded funds (ETFs, ou fundos de investimento em índice com cotas negociadas em bolsa ou mercado de balcão organizado)", argumenta Paul Sarosy, diretor de administração e de soluções de investimentos do banco.
Ele observa que atualmente os investidores podem comprar imediatamente um ETF ou criar as suas próprias carteiras Bric de acompanhamento dos índices de países individuais."Essas são algumas oportunidades de longo prazo extremamente empolgantes, de forma que estamos tentando fornecer soluções de investimentos a todos os investidores", diz Nick Shellard, diretor de desenvolvimento de negócios do iShares no Reino Unido e na Suíça.O que o FTSE Bric 50 do iShares é capaz de fazer é acrescentar diversificação a qualquer carteira de investimento, evitando riscos de ações específicas, e permitindo aos investidores alocar os seus orçamentos de risco em outros mercados nos quais acreditem que sejam capazes de alcançar um 'retorno alfa'. Isto é algo que pode ser usado pelo maior fundo de pensões, por fundos de hedge de dinheiro rápido ou por investidores individuais".
O iShares também fornece ETFs individuais referentes ao Brasil e à China, e mais um fundo recém-lançado que acompanha o JPMorgan Emerging Market Bond Index. No entanto, para obter uma exposição diversificada em todas as classes de investimentos dos Brics, os investidores ainda precisam recorrer a uma firma de wealth management."O objetivo do wealth manager é, acima de tudo, proteger o investimento do cliente", afirma Sarosy. "Com a nossa estrutura aberta, podemos encontrar oportunidades que não estão disponíveis para os investidores individuais 'afluentes'".
Por Matthew Vincent no FT

